Fórum Energia

África procura alternativas energéticas sustentáveis

Barragem de Cahora Bassa
Barragem de Cahora Bassa

Moçambique e Guiné têm planos para tornar produção mais sustentável, conforme adiantaram no Fórum de Energia de África.

Um maior foco nas renováveis é o caminho que Moçambique pretende seguir para produzir mais energia sem recorrer tanto à barragem de Cahora Bassa. Foi o que defendeu hoje o administrador da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), César Machava, em declarações à Lusa, nas quais afirmou que aquela empresa moçambicana pretende identificar alternativas à barragem que alimenta o empreendimento, face à necessidade de sustentabilidade.

O responsável não especificou, porém, o tipo de alternativas em análise. “Está em curso um estudo ainda numa fase bastante embrionária, no âmbito do pensamento estratégico que a HCB sempre seguiu”, disse, acrescentando que a busca de fontes alternativas de produção de energia se enquadra no esforço de adoção de medidas de resiliência face ao uso excessivo da água do rio Zambeze.

“O risco para a barragem é mínimo, neste momento, mas temos de nos preparar para o futuro”, enfatizou César Machava. A barragem da HCB é uma das maiores do mundo e fornece energia elétrica a Moçambique e a vários países da África austral.

Guiné aposta em fotovoltaico

Noutro ponto do Fórum Energia África, que hoje arrancou no Centro de Congressos de Lisboa, também a Guiné-Bissau revelou planos para se tornar mais sustentável. Desta vez, trata-se da nova central fotovoltaica anunciada para arrancar a construção em julho, logo que seja assinado o contrato com a empresa vencedora da empreitada, disse hoje o secretário de Estado da Energia daquele país.

O concurso para a central, com uma potência de 20 MegaWatts (MW), foi lançado em maio, decorrendo a avaliação das 17 propostas, devendo em breve ser elaborado o relatório preliminar que indicará o vencedor, adiantou à Lusa, o governante, João Saad, à margem da abertura do 21.º Fórum de Energia de África (AEF 2019). A central “pode começar a ser construída logo após a assinatura do contrato com a empresa vencedora”, apontou, admitindo que isso possa acontecer em julho, já que o acordo terá de ser assinado pelo novo governo, que ainda não tomou posse.

Três meses depois das legislativas, a 10 de março, o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau ainda não foi indigitado pelo presidente guineense e o novo governo também não tomou posse devido a um novo impasse político que teve início com a eleição dos membros da Assembleia Nacional Popular. Questionado sobre os efeitos deste impasse na atividade económica, João Saad adiantou que está a afetar “em larga medida” e esperou que se resolva em breve para se conseguir “resgatar o tempo perdido ” e conseguir “dar um salto de trampolim” em termos económicos.

A central fotovoltaica que vai ser construída em Gardete, a 15 quilómetros da capital Bissau, tem um prazo de construção de 18 meses, adiantou o governante guineense. Esta é uma das três centrais apoiadas pelo Banco de Desenvolvimento da África Ocidental (BOAD) que aprovou um financiamento de cerca de 38 milhões de euros na Guiné-Bissau para a construção da central fotovoltaica de Bissau e duas mini centrais de 1 MW em Canchungo e Gabu.

João Saad salientou que o país está a empreender uma “reforma da energia” para colmatar o problema de produção energética que “é muito deficitária”. As questões regulatórias e de enquadramento ambiental são outros dos problemas que o governo guineense quer resolver, acrescentou. Com Lusa

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