Dívida

Agência DBRS sobe rating de Portugal em um nível

centeno excedente orçamento governo costa
António Costa, Augusto Santos Silva e Mário Centeno. Fotografia: REUTERS/Pedro Nunes

Agência canadiana deu nota BBB alto. Dívida está agora três níveis acima de lixo. A perspetiva é estável, diz a DBRS em comunicado.

A nota da dívida pública portuguesa subiu um nível, de BBB neutro para BBB alto, anunciou esta sexta-feira a agência de notação financeira (rating) DBRS.

A empresa canadiana manteve a dívida num patamar que é considerado aceitável, de investimento. Esta nota significa que o crédito público está já três níveis acima de lixo (investimento arriscado ou muito especulativo). A perspetiva para a dívida portuguesa é agora estável.

Os analistas da DBRS elogiam o facto de o país estar a fazer uma “consolidação orçamental estrutural”, o equilíbrio das contas públicas e a redução do rácio da dívida pública face ao produto interno bruto (PIB). Notam ainda que, apesar dos riscos circundantes, a economia continua a crescer e a criar emprego.

Ainda no capítulo da economia, a agência financeira nota que as exportações portuguesas estão mais diversificadas, o que torna o país menos vulnerável a choques na procura externa, sobretudo em tempos de guerra comercial, como os que marcam a atualidade.

A qualidade das exportações e o crescimento do investimento privado também são fatores assinalados como positivos e que justificam a promoção dada ao país.

No capítulo dos bancos e setor financeiro, a DBRS nota que há menos ameaças à estabilidade financeira. Embora a dívida seja ainda muito elevada, a agência releva a redução gradual do endividamento das empresas não financeiras; a diminuição do crédito malparado; e a melhoria da rendibilidade da banca, a par do aumento dos rácios de capital.

O gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno, destaca o facto de “a dívida pública portuguesa beneficiar hoje da classificação de investimento pelas quatro principais agências de rating internacionais, estando com perspetiva positiva nas outras três [Moody’s, S&P e Fitch]”.

Para Centeno, “a DBRS antevê a continuação do crescimento equilibrado da economia portuguesa no futuro, apoiado por uma dinâmica positiva da procura interna associada ao crescimento do emprego, das remunerações e do investimento”.

No entanto, a agência canadiana também avisa que o ritmo de crescimento deverá ser mais moderado do que no passado recente devido à expectável desaceleração da procura externa.

A DBRS foi a única agência que, durante a crise financeira, manteve a dívida de Portugal acima de lixo e elegível para os apoios do Banco Central Europeu. A próxima agência a avaliar o País é a Fitch: tem uma ação agendada para o próximo dia 22 de novembro. Será a última avaliação do ano por parte das quatro principais agências de rating, segundo mostra o IGCP.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Alberto Souto de Miranda
(Gerardo Santos / Global Imagens)

Governo. “Participar no capital” dos CTT é via “em aberto”

Congresso APDC

“Temos um responsável da regulação que não regula”

Congresso APDC

Governo. Banda larga deve fazer parte do serviço universal

Outros conteúdos GMG
Agência DBRS sobe rating de Portugal em um nível