Turismo

“Agressividade” de Turquia, Egito e Tunísia volta a roubar turistas a Portugal

Só o Algarve pode perder 100 mil ingleses
Só o Algarve pode perder 100 mil ingleses

Governo tenta atrair novos mercados para compensar a quebra de turistas britânicos. Algarve pode perder cem mil ingleses neste ano.

Os turistas ingleses estão a escolher cada vez menos Portugal para passar férias. E já não é só o brexit ou a desvalorização da libra que afasta aquele que é o principal mercado emissor para Portugal: a Turquia, o Egito e a Tunísia estão em recuperação e promovem-se como destinos mais baratos.

Os hoteleiros mostram-se preocupados, sobretudo no Algarve e na Madeira, onde os efeitos são mais visíveis e onde o governo está a testar uma campanha para atrair novos mercados que possam atenuar esta perda. “Corremos o risco de acabar o ano com menos 110 mil turistas britânicos no Algarve”, admite Elidérico Viegas, presidente da AHETA, a associação que representa a hotelaria algarvia, evidenciando a queda de 14,1% do número de britânicos em junho.

Além dos ingleses, os alemães e irlandeses foram protagonistas das maiores quedas, cada um deles com – 19,7%. O apertar de cinto dos ingleses tem sido parcialmente compensado com acréscimos de mercados como a Dinamarca, Noruega, Suécia, Polónia, Luxemburgo e Alemanha, aponta o líder da associação. Até abril, Portugal perdeu 30 mil ingleses (-6,3%), mostra o Instituto Nacional de Estatística. Mas até ao final do ano os números podem catapultar.

“Assistimos a uma transferência destes mercados tradicionais” à conta da retomada do turismo em países prejudicados por períodos de instabilidade no passado, lembra o responsável. Elidérico Viegas não esconde a preocupação: “Tem sido um processo gradual, mas muito acentuado e progressivo.” Em todo o caso, esta redução não se sente ainda no volume de vendas, onde se verificou um aumento 2,1% em junho e de 3,7% no acumulado deste ano.

António Trindade, presidente do grupo hoteleiro Porto Bay Hotels & Resorts, confirma o pior cenário, assumindo que já se sente uma “forte agressividade” de preços nos países associados à Primavera Árabe e deixa o alerta: pode vir a assistir a “alguma deslocação” para oeste/este.

Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, admite que o governo está “permanentemente a acompanhar e a antecipar a evolução dos mercados”, diz ao Dinheiro Vivo, assumindo que já está no terreno um “plano agressivo” de promoção do Algarve e da Madeira para captar mais norte-americanos e alemães e fazer face à retoma da concorrência de países do Médio Oriente.

A ação envolve um investimento de um milhão de euros e passa por “antecipar a próxima época baixa”, que vai de outubro a março. A ideia é também acelerar a reposição da capacidade aérea perdida nas duas regiões desde a falência das companhias aéreas Monarch, Air Berlin e Niki.

“Não nos interessa crescer desmesuradamente em número de turistas, interessa-nos crescer de forma inteligente ao longo de todo o território e todo o ano”, adianta ainda. Ana Mendes Godinho diz acreditar no reforço de novos mercados “para contrabalançar” os números. Dados do gabinete de estatísticas nacional mostram, aliás, que a atividade turística portuguesa está a beneficiar da subida do número de visitantes norte-americanos, brasileiros, chineses, italianos, polacos e holandeses.

Por sua vez, Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, refere que a região “não compete pelos preços” e apela à “diversificação da oferta”, utilizando um trunfo importante para a atração de turistas: “A segurança.” O responsável pede ainda “cautela” e assume que é preciso fazer o “trabalho de casa” para antecipar uma desaceleração do ritmo de procura no Algarve, embora garanta que, por enquanto, “a hotelaria tradicional não tem sentido grandes quedas”.

Ainda assim, do lado do grupo Vila Galé, segundo maior grupo hoteleiro português, o mercado britânico desceu 7% em número de hóspedes e 13% em dormidas no acumulado do primeiro semestre do ano, informa o administrador Gonçalo Rebelo de Almeida. “Além de estarmos a receber menos hóspedes, os que vêm estão a ficar alojados menos noites”, explica.

Gonçalo Rebelo de Almeida enumera vários constrangimentos: o regresso de turistas a destinos como a Turquia, Grécia, Tunísia e Egito veio acompanhado por um verão instável em Portugal, juntamente com as consequências da desvalorização da libra e a diminuição de transporte aéreo em algumas regiões. A estas razões soma-se o facto de o Campeonato do Mundo de futebol estar a decorrer durante o que é um dos “principais períodos de férias do mercado britânico”, que vai de junho a julho.

Nos hotéis PortoBay, António Trindade confessa “um misto de interrogação e preocupação” e assume que a desvalorização da libra em 14% desde o referendo do brexit poderá vir a criar “fatores de perda de competitividade nos destinos europeus”.

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