Agricultura e indústria nunca empregaram tão poucas pessoas

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Os portugueses estão mais longe da agricultura e da indústria. Em 2013, estes dois setores tiveram o nível de emprego mais baixo desde que o Instituto Nacional de Estatística iniciou as séries, há 15 anos.

Vamos aos números: a agricultura empregou no ano passado 448 mil pessoas, menos 180 mil em relação a 1998. A indústria transformadora absorveu 732 mil trabalhadores, menos 405 mil do que há 15 anos. Já no comércio, a redução foi mais suave, de 2,3%.

Foi o comportamento agrícola que suscitou alguma surpresa, e reações díspares também. Do lado dos agricultores, João Dinis, da CNA, reportando-se à perda de 53 mil empregos no 4.0 trimestre de 2013 (face ao homólogo de 2012), considerou que os números contrariam o discurso de “oásis” do Governo, lamentando a “verdadeira destruição do setor primário”.

O Ministério da Agricultura contrapôs: “Menos emprego [que também atribui à entrada dos agricultores na reforma], não é sinónimo de diminuição de crescimento da atividade”, mostrando que o setor, em 2013, cresceu 4,8%, em volume; as exportações subiram 9,3%, de setembro a novembro; e a produtividade do trabalho cresceu 33,3% entre 2000 e 2013.

Luís Mira, da CAP, sublinhou que o setor vive uma “transformação muito profunda, no sentido da mecanização, de que resulta menos mão de obra”, embora assinale haver atividades para as quais ainda não há máquinas, e que contribuem para o aumento sazonal do emprego.

O presidente do Instituto Superior de Agronomia, Carlos Noéme, também referiu que “o setor vive uma transformação estrutural e tecnológica muito profunda , que foi acelerada pela crise”. Acentuou que a produção agrícola e agroalimentar estão a aumentar, bem como as exportações. “É um fenómeno natural haver um nível tão baixo de emprego na agricultura”, admitiu.

Terciarização

No caso da indústria transformadora, a diminuição do emprego, enquadrada no longo prazo, “é consistente com o fenómeno de terciarização, transversal às economias desenvolvidas, desde os anos 60”, explicou Sandra Silva, professora da Faculdade de Economia do Porto. “Essa evolução, que acompanha o progresso tecnológico, traduz-se na perda de importância da indústria e da agricultura na estrutura do emprego, com aumento do peso dos serviços”. Além disso, assinala que, “em 2013, houve mais horas trabalhadas, o que indicia que as empresas dispensaram os precários e, para responder à procura, terão sido os outros empregados a trabalhar mais tempo”.

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