Indústria

Agroalimentar sobe ao pódio dos recordes

Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Principal setor da indústria transformadora portuguesa atinge vendas para o exterior de 4,6 mil milhões de euros.

Vinho, azeite, conservas, carne e laticínios, todas juntas, estas indústrias com um cunho tradicional tão profundo, conseguiram aumentar 3,6% as exportações, no ano passado, acima da média nacional, para um total de 4,6 mil milhões de euros, um recorde, como sublinha Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), a uns dias da realização do 6.º congresso do setor, que decorre na próxima terça-feira, em Lisboa, vocacionado para pensar o futuro.

Esse máximo nas transações externas segue o movimento que também se verificou na totalidade das exportações agroalimentares da União Europeia, que atingiram 130,7 mil milhões de euros em 2016, outro recorde.

Ainda é possível crescer mais?

“Um setor que há 30 anos estava condenado a desaparecer” deu a volta e, em 2016, “faturou 15,4 mil milhões de euros, consolidando-se como o maior ramo da indústria transformadora nacional, além de representar 4,5% do Produto Interno Bruto”. Na fotografia, destaque para os laticínios, por ocuparem a maior fatia.

“Este crescimento é a reafirmação da nossa capacidade, resiliência e afirmação”, características que permitiram ganhar notabilidade, não apenas no exterior, mas também no mercado doméstico, “muito por via do maior afluxo de turistas”, explica Jorge Henriques. “É uma prova de que o mercado interno ainda pode crescer mais, mas pode ser um processo demorado, daí a importância das exportações”, salienta.

Para mostrar que essa ambição tem reflexo na realidade, o dirigente da federação aponta os últimos dados das vendas ao exterior já deste ano, em janeiro, segundo os quais as expedições “cresceram muito para fora da União Europeia, o que mostra que há potencialidades e novas geografias para onde expandir, como os mercados asiáticos e da América Latina”.

A ideia é também recuperar Angola, que era o principal mercado. Jorge Henriques acredita que a atual situação de declínio naquele país se irá reverter dentro de dois a três anos.

Armas do sucesso

Por cá, apesar de todos os contratempos decorrentes do tempo da troika (2011-2014) – admite uma redução na rentabilidade das empresas por causa da quebra do poder de compra e do consumo -, observa: “Esta indústria conseguiu sempre manter um nível de faturação estável ou crescente e isso estimula-nos para projetarmos mais crescimento no futuro”. Mas com que armas?

O presidente da FIPA considera que as chaves do sucesso têm sido a capacidade que o setor teve de se reestruturar, mesmo antes da crise; a inovação e o talento das pessoas; e a flexibilidade de adaptação. Com um argumento adicional: “Em momento algum baixámos os braços. Repare que o setor só foi para agenda política a partir de 2008, com a crise mundial das matérias-primas, por causa de fenómenos climatéricos”.

Serão essas armas as mesmas para enfrentar o futuro, mas com mais três determinações, que Jorge Henriques resume: “É preciso criar marcas fortes, para podermos competir; que as instituições que apoiam a internacionalização prossigam o seu trabalho, que este setor dará uma resposta muito afirmativa; e é preciso unir todos os meios destas indústrias e criar valor, porque só assim conseguiremos ser grandes”.

Neste contexto, recorda a importância de um protocolo celebrado no ano passado, no âmbito do Cluster Agroalimentar, que viabilizou a criação de um Conselho Estratégico para pensar a internacionalização e a promoção externa, sempre ancoradas na qualidade dos produtos nacionais, cada vez mais reconhecida no estrangeiro.

Mas o presidente da FIPA anota outra preocupação: “Pensamos na criação de emprego e no apoio aos jovens talentos que saem das nossas universidades. É importante podermos contar com eles nas nossas empresas”. O setor dá emprego a 108 mil pessoas, diretamente, mas garante mais 500 mil indiretos.

À margem

Em relação a problemas recentes reportados pela equivalente da ASAE no Brasil, que dizia ter identificado azeite português impróprio, Jorge Henriques recorda que ainda não se sabe onde é que o produto foi embalado e que a informação carece de veracidade confirmada. Por isso, contrapõe que “todo o azeite exportado de Portugal respeita a legislação comunitária de nacional, e são produtos irrepreensíveis”.

Já quanto à carne importada do Brasil com problemas sanitários, e que o Governo assegura não ter entrado em Portugal, o presidente da FIPA sustenta: “Confiamos nas autoridades portuguesas. Achamos que temos uma autoridade [a ASAE] capaz de assegurar aos portugueses que a importação e a produção interna garantem as condições de segurança e as regras da concorrência legal”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Alberto Souto de Miranda
(Gerardo Santos / Global Imagens)

Governo. “Participar no capital” dos CTT é via “em aberto”

Outros conteúdos GMG
Agroalimentar sobe ao pódio dos recordes