Energia

AIE prevê que mercado petrolífero se equilibre no segundo trimestre

Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder
Fotografia: REUTERS/Ernest Scheyder

Agência Internacional de Energia mantém estimativas da procura global de petróleo, apesar do aparecimento de alguns sinais de desaceleração económica.

A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que o excesso de oferta no mercado de petróleo tenderá para um equilíbrio no segundo trimestre tendo em conta os cortes da OPEP e as perdas da Venezuela que podem ainda agravar-se.

No relatório mensal publicado esta sexta-feira, a AIE mantém as estimativas da procura global de petróleo, apesar do aparecimento de alguns sinais de desaceleração económica, em particular na Europa.

O documento aparece como uma resposta à Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que na passada quinta-feira mostrou temores de que a oferta de petróleo cresça a um ritmo mais forte do que a procura este ano e pediu “responsabilidade” aos outros produtores.

A agência, que reúne os grandes consumidores de energia membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), acredita que o consumo global de petróleo vai aumentar em 1,4 milhões de barris adicionais em 2019 (para 100,6 milhões em média), depois de um acréscimo de 1,3 milhões em 2018.

Este acréscimo do consumo, superior ao estimado pela OPEP, justifica-se pela revisão em alta pela AIE das expectativas para o Médio Oriente e Ásia.

O segundo elemento que para a AIE explica a tendência para o equilíbrio do mercado é o corte da produção que se verifica desde o início do ano. A AIE estima para o segundo trimestre uma produção inferior em 50.000 barris por dia à procura.

Uma queda da produção, que foi de 340.000 barris diários em fevereiro, dos quais 240.000 da OPEP, que forneceu um total de 30,68 milhões de barris por dia, menos 1,1 milhões do que um ano antes.

Contudo, a oferta mundial em fevereiro último atingiu um total de 99,7 milhões de barris por dia, mais 1,5 milhões do que no mesmo mês de 2018, graças ao aumento da produção dos Estados Unidos, que com as jazidas de xisto é o principal contribuinte para o acréscimo da extração de petróleo.

Esta evolução, que fará dos Estados Unidos um exportador líquido a partir de 2021, não só oferece aos consumidores uma oferta mais completa, segundo a AIE, como sobretudo reforça a segurança do fornecimento, em especial numa altura em que as incertezas geopolíticas estão a aumentar.

A incerteza mais imediata para o mercado petrolífero está relacionada com a Venezuela, que com a crise elétrica que viveu nos últimos dias e responsável pela paralisação da atividade no país, põe dúvidas à sua capacidade de produção.

Sobre o impacto da crise venezuelana, os autores do relatório mostram-se relativamente tranquilizadores, já que os cortes da OPEP deixaram ao cartel uma margem excedentária de cerca de 2,8 milhões de barris diários (dois terços correspondem à Arábia Saudita) que poderiam compensar perdas adicionais da Venezuela.

O país sul-americano produziu em fevereiro 1,14 milhões de barris por dia, menos 10.000 barris por dia do que em janeiro e muito aquém dos quase 3,5 milhões de barris por dia quando Hugo Chávez foi eleito pela primeira vez, em 1998.

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