Ainda vale a pena ter uma conta poupança?

Quando se quer poupar, são muitas as dúvidas em relação ao tipo de contas a usar. A propósito do Dia Mundial da Poupança - que se assinala hoje, 31 de outubro -, damos-lhe algumas pistas sobre o que fazer então.

Contas poupança e de depósito a prazo já foram, em tempos, uma solução viável para quem quer aplicar dinheiro e fazê-lo render. No entanto, já há alguns anos que não compensa ter este tipo de conta, recorda António Ribeiro, economista da Deco Proteste.

O primeiro ponto a ter em conta será a situação atual das taxas de juros que, por norma, são ainda mais baixas nas contas poupança do que nas contas de depósito a prazo. O especialista justifica esta realidade pelo facto de as contas poupança serem "contas onde se vai colocando dinheiro de forma periódica".

Relativamente aos rendimentos, um depósito a prazo a um ano rende, em média, 0,1% líquido, enquanto a melhor taxa poderá alcançar os 0.7% - o que significa que, para quem deseja aumentar as poupanças, esta opção não irá oferecer ganhos relevantes. Grandes bancos, como Millennium, Novo Banco, Santander, Montepio adotam taxas muito próximas, ou até mesmo de 0%, como é o caso do BPI, que remunera a 0% em vários prazos.

As vantagens e desvantagens andam lado a lado no que diz respeito às contas de depósito a prazo. Segundo o economista da Deco Proteste, a maioria permite a mobilização antecipada do capital, "mas existem alguns que não o permitem fazer antes do prazo", frisando que o que pode ocorrer frequentemente, é não se salvaguardarem os juros do prazo já decorrido.

Contudo, as contas poupança poderão ser um bom produto para fazer face a futuros imprevistos, visto que, dada a inflação se encontrar ao momento nos 0%, "mesmo com uma taxa de juro muito baixa, as pessoas conseguem ter um rendimento real positivo. Procurar saber qual a instituição que oferece as melhores condições é uma recomendação - outra é "nunca colocar todas as poupanças em depósitos", reforça António Ribeiro.

Conselhos sobre como poupar

A propósito do dia mundial da poupança, o economista deixa alguns conselhos, sendo o primeiro "manter o mínimo de dinheiro possível em depósitos à ordem", pois visto que estes rendem 0% de juros (ou muito próximo disso), em termos gerais, "as pessoas acabarão por perder dinheiro".

Outro aspeto a ter em conta será "ter sempre um fundo de emergência", ou seja, um conjunto de aplicações que facilmente se transformam em dinheiro. As sugestões são "aplicações financeiras que tenham elevada liquidez", como depósitos a prazo ou certificados de aforro; e também reservar o valor equivalente a seis salários.

A reforma é algo ao qual o economista atribui bastante importância e, por isso, aconselha "começar a preparar a reforma, nomeadamente a poupança de longo prazo, o mais cedo possível. O Plano Poupança Reforma (PPR) "deve ser feito o mais cedo possível, preferencialmente quando se inicia a vida ativa, pois trata-se de uma poupança de longo prazo" que oferecerá benefícios em duas vertentes: tempo e uma capitalização superior do rendimento.

Por último, em caso de existirem mais poupanças para além do fundo de maneio e do PPR, "não deve aplicá-las a curto, mas sim a médio longo prazo" em produtos com capital garantido - de que são exemplo os fundos de investimento, fundos mistos e carteira de fundos -, ou sem capital garantido, como os títulos de dívida pública, certificados de aforro ou do tesouro.

Numa tentativa de facilitar a adesão aos PPR, a Deco Proteste disponibiliza online duas ferramentas: um comparador de PPR disponíveis no mercado e uma calculadora que fará uma simulação do valor que poderá ter na reforma.

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