Brexit

Airbus ameaça sair do Reino Unido se não houver acordo

Os lucros da Airbus derraparam nos primeiros três meses deste ano. A TAP tem na sua frota aeronaves da francesa Airbus.
Os lucros da Airbus derraparam nos primeiros três meses deste ano. A TAP tem na sua frota aeronaves da francesa Airbus.

Embora tenha admitido que não é possível mudar estas fábricas "no imediato", a Airbus sublinhou que o setor aeroespacial é um negócio de longo prazo.

O presidente da Airbus pediu hoje ao Reino Unido para esclarecer a sua posição sobre o ‘Brexit’ e alertou que se a saída da União Europeia for feita sem acordo poderá levar a companhia a mudar-se para outros países.

Numa mensagem divulgada pela gigante europeia de aeronáutica e defesa, Tom Enders destacou que “estão errados” aqueles que dizem que, como a Airbus tem grandes fábricas no Reino Unido, vai ali ficar “para sempre”.

Embora tenha admitido que não é possível mudar estas fábricas “no imediato”, sublinhou que o setor aeroespacial é um negócio de longo prazo e que a Airbus “pode ser forçada a redirecionar futuros investimentos em caso de saída [da UE] sem acordo”.

“Há muitos países que adorariam construir asas para os aviões da Airbus”, acrescentou o responsável, referindo-se à principal atividade que o consórcio europeu tem em território britânico.

A Airbus tem uma equipa de mais de 14.000 pessoas no Reino Unido e há cerca de 110.000 empregos que dependem de seus programas, que geram cerca de 6.000 milhões de libras (cerca de 6.900 milhões de euros) de faturação anual.

O presidente do fabricante europeu disse que, devido à atual situação de incerteza, “o setor aeroespacial britânico está à beira do precipício”, sublinhando que “o ‘Brexit’ está a ameaçar destruir um século de desenvolvimento baseado na educação, investigação e capital humano”.

É por isso que, se a saída da UE for feita sem um acordo, a Airbus “teria que tomar decisões muito negativas para o Reino Unido”.

Tom Enders argumentou ainda que, “numa economia global, o Reino Unido não pode seguir por conta própria”.

“Os grandes projetos aeroespaciais são empresas multinacionais”, acrescentou.

O responsável criticou o facto de mais de dois anos após o referendo de 2016 sobre o ‘Brexit’ as empresas sejam incapazes de planear o seu futuro, porque não sabem como é que a saída se vai materializar, e lembrou que a sua empresa, como muitas outras, pediu repetidamente “clareza”.

O presidente do ‘número dois’ mundial da aviação – depois da norte-americana Boeing – indicou que este mercado cresce a uma taxa de 5% ao ano e que o seu grupo “não depende do Reino Unido” para o seu futuro e sobreviverá em qualquer condição.

“A questão é se o Reino Unido quer fazer parte desse futuro de sucesso”, para o qual o ‘Brexit deve acontecer de maneira ordenada, resumiu.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, João Proença, durante a sua audição na Comissão de Saúde, na Assembleia da República, em Lisboa, 27 de fevereiro de 2019. MÁRIO CRUZ/LUSA

ADSE já enviou novas tabelas de preços aos privados para negociação

Mario Draghi, Presidente do Banco Central Europeu. REUTERS/Kai Pfaffenbach

BCE discutiu pacote de medidas para estimular economia na reunião de julho

Hotéis de Lisboa esgotaram

“Grandes” eventos impulsionaram aumento dos preços na hotelaria em junho

Outros conteúdos GMG
Airbus ameaça sair do Reino Unido se não houver acordo