Ajuda à banca já custou 4000 milhões, o valor a cortar no Estado

Maria Luís Albuquerque no Parlamento
Maria Luís Albuquerque no Parlamento

O défice de 2012 ficou em 6,4%, bem acima dos 4,9% comunicados pelo ministro das Finanças também há duas semanas. E o impacto das ajudas à banca nas contas dos últimos três anos já vai em mais de 4000 milhões de euros, tanto quanto se pretende cortar no Estado social.

Os números preliminares do fecho oficial de 2012, ontem publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a situação orçamental é débil.

No capítulo do défice, tudo saiu pior que o previsto. Em 2012, o desequilíbrio ficou em 6,4% do PIB. A previsão para este ano é de 5,5%, indica o INE.

O valor projetado para 2013 coincide com a nova meta combinada com a troika mas o valor do ano passado ficou muito distante dos 4,5% inscritos nos memorandos originais.

Ficou também muito acima dos 4,9% que Vítor Gaspar comunicou ao país a 15 de março por ser o valor que melhor reflete o estado das contas públicas, como defendeu então.

Mas pior porquê? O défice teve de ser expurgado do resto da receita dos fundos de pensões da banca e da receita com a venda da ANA, que acabou por chumbar no Eurostat. É uma privatização pura e, portanto, abate à dívida. Para além disso os contribuintes arcaram com os custos da recapitalização da CGD, da Sagestamo (Parpública) e com novos buracos do BPN.

Aliás, os encargos líquidos (já descontando ganhos) para os portugueses com as medidas contra a “crise financeira” e de salvamento e estabilização da banca, já somam 4.107 milhões de euros.

Este valor, que diz respeito aos anos de 2010 a 2012, foi diretamente ao défice (agudizando a necessidade de subir impostos e cortar despesa).É tanto quanto o Governo pretende tirar ao Estado social, também em três anos (até 2015, inclusive).

O impacto da “crise financeira”, como refere o INE nos quadros suplementares do procedimento dos défices excessivos enviado ontem ao Eurostat, parece ser um poço sem fundo.

Em 2010 caiu a primeira fatura, no valor de 2.225 milhões de euros, em 2011 o défice incorporou mais 882 milhões e no ano passado chegou mais uma conta no valor de 1.000 milhões de euros. Dá ao todo os referidos 4.107 milhões.

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