Plataforma

Ajuda ao desenvolvimento sobe pela primeira vez em cinco anos

Portugal contribuiu com 340 milhões de euros em 2016, mas continua muito aquém do compromisso assumido a nível internacional.

A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (ADP) portuguesa subiu pela primeira vez nos últimos cinco anos, fixando-se em 340 milhões de euros em 2016, mas continua muito aquém do compromisso assumido a nível internacional.

Este montante corresponde a 0,17% do Rendimento Nacional Bruto (RNB), “muito aquém do compromisso assumido a nível internacional de alocar, até 2020, 0,70 % do RNB para a APD”, afirmou num comunicado a Plataforma Portuguesa para as Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento.

“Este aumento deveu-se sobretudo a um crescimento da contribuição de Portugal para o orçamento da Cooperação para o Desenvolvimento da União Europeia”, adianta a mesma fonte.

A Plataforma referiu que, de acordo com os dados publicados na terça-feira pelo Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (DAC/OCDE), os montantes globais de APD subiram 8,9% entre 2015 e 2016, fixando-se nos 134,5 mil milhões de euros.

“Portugal, apesar deste ligeiro aumento, continua na cauda da Europa em matéria de canalização da APD (atrás só ficaram países como a Hungria, Eslovénia, República Checa, Grécia, etc…)”, declarou Pedro Cruz, diretor executivo da Plataforma, citado no comunicado.

Segundo Pedro Cruz, a Plataforma, vê “com preocupação para o facto se estar a optar, cada vez mais, por recorrer a instrumentos financeiros externos para canalizar verbas para projetos de cooperação, desvalorizando o papel que a APD (ainda) tem”.

“É uma opção que traz riscos ainda não totalmente calculados e entendidos, tendo em conta o contexto da cooperação portuguesa e, sobretudo porque esses instrumentos ao estarem sujeitos a condicionantes e prioridades externas, podem tornar menos eficaz o impacto que os projetos têm no combate e redução da pobreza nos países parceiros”, referiu.

De acordo com o comunicado, o aumento em 2016 do valor da APD disponibilizada pelos Estados membros do CAD/OCDE, pelo segundo ano consecutivo, está relacionado com o crescimento de verbas para gestão do fluxo de refugiados que têm chegado ao continente europeu.

“Neste sentido, esta subida deve-se sobretudo a montantes gastos nos próprios países e não têm por isso efeitos na erradicação da pobreza ou na promoção de um desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, os principais objetivos da APD”, refere a nota.

A Plataforma Portuguesa salientou ainda que “os montantes líquidos de APD canalizados diretamente para os países em desenvolvimento decresceram 3,9% no mesmo período”.

“A África, um dos continentes onde a pobreza, os conflitos e as deslocações afetam um grande número de pessoas, viu a Ajuda ao Desenvolvimento decrescer de 2015 a 2016 em 0,5%”, lamentou.

 

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, fala perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. TIAGO PETINGA/LUSA

Constâncio: Risco para a estabilidade no crédito a Berardo era “problema da CGD”

Outros conteúdos GMG
Ajuda ao desenvolvimento sobe pela primeira vez em cinco anos