Comércio internacional

Alemanha duplicou exportações de armamento de 2018 para 2019

Istambul, Turquia EPA/ERDEM SAHIN
Istambul, Turquia EPA/ERDEM SAHIN

Vendas mais polémicas são as feitas à Turquia, cujo exército está envolvido na Síria em ataques “possivelmente contrários ao Direito Internacional”.

A Alemanha exportou em 2019 equipamento militar no valor de 8.015 milhões de euros, um aumento de 170% face aos 4.824 milhões de euros de 2018, ano em que as vendas foram menores do que o costume.

Segundo um relatório sobre as exportações alemãs de armamento apresentado esta quarta-feira pelo Governo de Berlim, o valor total das exportações autorizadas, porém, não é significativo em relação à evolução da política de venda de armas e equipamentos militares.

No relatório é indicado que, em 2019, quase uma quarta parte das exportações autorizadas, no valor de 1.700 milhões de euros, corresponde a uma operação de compra extraordinária por parte de outro Estado membro da União Europeia (UE), neste caso, a Hungria.

No total, a Alemanha, um dos principais exportadores de armamento do mundo, autorizou vendas num um valor próximo de 4.500 milhões de euros a países aliados, ou seja, membros dos 27, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), ou com estatuto idêntico ao da Aliança Atlântica, como Austrália, Japão ou Suíça.

Do total, as vendas mais polémicas são as feitas à Turquia, cujo exército está envolvido na Síria em ataques “possivelmente contrários ao Direito Internacional”, assim como de suspeitas de violações dos direitos humanos contra civis.

Como resultado da operação “Manancial de Paz”, lançada na Turquia em outubro de 2019 contra a região semi-autónoma curda no norte da Síria, a Alemanha anunciou que iria cessar as vendas de equipamento militar que o também membro da NATO pretendesse utilizar no conflito sírio.

No entanto, dado que o relatório não especifica a natureza exata das vendas quando são destinadas a Estados aliados, o documento revela unicamente que a Alemanha aprovou 187 pedidos de exportação para a Turquia, no valor de 31,6 milhões de euros.

No que diz respeito a “países terceiros”, as exportações autorizadas em 2019 somaram 3.530 milhões de euros, face aos 2.550 milhões de euros registado no ano anterior, embora o relatório sublinhe que este último valor é próximo da média dos últimos cinco anos e que das 2.881 autorizações, apenas 43 se referem a armas de guerra como tal.

Do relatório infere-se que, após o compromisso de parar a venda de armas à Arábia Saudita, após o assassínio do jornalista Jamal Kashoggi, o Governo alemão autorizou por uma só vez a venda de veículos e de protetores de balas destinados à segurança das embaixadas situadas no país do Golfo Pérsico.

O Conselho Federal de Segurança alemão, contudo, não colocou qualquer objeção à assinatura de novos acordos para a exportação de equipamento militar e armamento aos Emirados Árabes Unidos (EAU), no valor de 256 milhões de euros, mesmo apesar de a coligação de governo ter-se comprometido a não entregar o material aos países implicados no conflito no Iémen.

No relatório é ainda indicado que a Alemanha aprovou também exportações de armamento no montante de 800 milhões de euros para o Egito, outro país cujo cumprimentos dos direitos humanos tem sido questionado a nível internacional.

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