Previsões

Alemanha e Itália estragam festa do crescimento. Só Grécia ganha força

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

Zona euro vai crescer uns míseros 1,3% em 2019, prevê a Comissão Europeia. É o pior registo desde 2013, altura em que a região estava em recessão.

A Grécia é a única economia da zona euro que deve acelerar este ano, crescendo cerca de 2,2%, prevê a Comissão Europeia. Todos os outros países estão a perder gás, especialmente Alemanha, Itália e Holanda, diz Bruxelas na atualização de inverno das projeções para as 19 economias.

Com cada vez mais sombras no horizonte e muitas nuvens já a pairar e a atrapalhar as economias, a CE lamenta que a economia da moeda única só deve crescer 1,3%, o pior registo desde 2013, ano que, recorde-se, foi de recessão (quebra de 0,2%).

A Alemanha, a maior economia da Europa continental, trava 1,5% em 2018 para apenas 1,1% este ano, ficando assim com o segundo pior desempenho do grupo. Pior só Itália, que “está em recessão” e deve acabar 2019 como um todo virtualmente estagnada (0,2%).

A Holanda, uma economia com fortes ligações financeiras e bancárias ao Reino Unido, leva com um verdadeiro balde de água fria. Estava a crescer 2,5%, mas em 2019 não vai além de 1,7%.

De facto, o único país a destoar neste cenário mais triste é a Grécia que depois de crescer 2% em 2018, avança para 2,2% este ano. Mas também verdade que a economia grega parte bem do fundo: foi submetida a três programas de austeridade desde 2010 e viveu um período de oito anos de recessão non stop (de 2008 a 2016).

“As revisões em baixa do crescimento em 2019 foram significativas no caso da Alemanha, da Itália e dos Países Baixos”, diz a Comissão, que aponta o dedo ao “abrandamento do crescimento do comércio mundial, a incerteza que minou a confiança em alguns Estados-Membros e a produção afetada por fatores internos temporários, tais como perturbações na produção automóvel, tensões sociais e incertezas em matéria de política orçamental”.

Esta última menção foi especialmente dedicada a Itália, que andou a fazer finca-pé numa meta de défice e em medidas orçamentais que acabaram por cair, fazendo a vontade a Bruxelas e ao Eurogrupo. “Itália podia estar em piores condições” se não tivesse feito esses acertos, observou ontem o comissário europeu da Economia, Pierre Moscovici.

E tudo seria pior se muitos Estados-Membros não beneficiassem de “uma procura interna robusta” e dos apoios dos fundos da União Europeia. Moscovici observou também que “após o pico de 2017, a desaceleração da economia da União Europeia deverá continuar em 2019, com um crescimento de 1,5%”.

“Este abrandamento deverá ser mais pronunciado que o previsto no outono passado, especialmente na área do euro, devido a incertezas no comércio mundial e a fatores internos nas maiores economias”, mas o comissário garante que ainda há coisas “sólidas” e onde “continuamos a ter boas notícias, em especial no emprego”.

Projeções podem piorar: China, brexit, novas crises de dívida

Na conferência de imprensa que decorreu esta quinta-feira em Bruxelas para apresentar estas previsões, o alerta foi que o futuro próximo será perturbado “por um elevado nível de incerteza e as projeções estão sujeitas a riscos de revisão em baixa”.

As tensões comerciais que pesam no sentimento económico desde há algum tempo diminuíram ligeiramente, mas continuam a ser fator de preocupação”, “a economia chinesa poderá estar a abrandar mais acentuadamente do que o previsto e os mercados financeiros mundiais, bem como muitos mercados emergentes, são vulneráveis a mudanças bruscas do sentimento de risco e das expectativas de crescimento”.

Por fim, o fator mais obscuro de todos. O processo do brexit que “continua a ser uma fonte de incerteza” e pode tornar a abanar os mercados e a estrangular os mais endividados.

Problemas com dívida soberana podem regressar a alguns países do euro

Valdis Dombrovskis, o vice-presidente responsável pelo euro, não esteve na conferência de imprensa, em Bruxelas, mas deixou uma mensagem. Avisou que embora “todos os países da UE devam continuar a crescer em 2019”, “as nossas previsões foram revistas em baixa, em especial para as maiores economias devido a fatores externos como as tensões comerciais e o abrandamento dos mercados emergentes, nomeadamente da China”.

Observou ainda que “preocupações quanto aos ciclos viciosos entre a dívida bancária e a dívida soberana e à sustentabilidade da dívida voltaram a ser sentidas em alguns países da área do euro” e que “a possibilidade de um brexit disruptivo [saída da UE sem acordo] gera ainda mais incerteza”.

Fonte: Comissão Europeia

Fonte: Comissão Europeia

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes. MÁRIO CRUZ/LUSA

Famílias ficam com um pouco mais de salário ao final do mês

Miguel Almeida, CEO da NOS

Comité de Ética da NOS vai ouvir os administradores envolvidos no Luanda Leaks

O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante a cerimónia de tomada de posse do XXII Governo Constitucional, liderado pelo secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 26 de outubro de 2019. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Marcelo: É bem-vindo a Portugal todo o investimento no respeito da legalidade

Alemanha e Itália estragam festa do crescimento. Só Grécia ganha força