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Alerta de Vítor Gaspar: Redução do défice mais difícil com governos instáveis

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Vítor Gaspar, ministro das Finanças de Passos Coelho, hoje um dos diretores do FMI. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Entidade liderada por Christine Lagarde diz que o ritmo de crescimento da dívida pública duplica quando um país tem um Governo instável

A redução do défice é mais difícil com um Governo conta com pouco apoio do Parlamento. Este é o alerta deixado por Vítor Gaspar, diretor da área de estudos orçamentais do Fundo Monetário Internacional (FMI) no mais recente relatório da instituição sobre o impacto que a situação política tem em questões como o défice, dívida ou na política fiscal.

“Quando os governos têm amplas maiorias, a diferença entre o conseguem fazer e o que prometem é muito pequena. Se tivermos governos frágeis, torna-se muito difícil mobilizar uma maioria no Parlamento; nesses casos, a diferença é muito maior”, refere o antigo ministro das Finanças de Pedro Passos Coelho, citado pelo jornal espanhol El País. O mesmo efeito regista-se na dívida quando um governo de coligação tem mais ministros do que a média (14 ministros).

O FMI diz que um Governo com muitos apoios parlamentares tem um desvio médio orçamental de 0,015% do PIB; com um executivo com poucos apoios no Parlamento, esse desvio passa para 0,7%. A entidade liderada por Christine Lagarde diz que o ritmo de crescimento da dívida pública duplica quando um país tem um Governo instável.

Ainda sobre o défice, o FMI diz que nos anos com eleições regista-se uma subida média de 1%, sobretudo em países em que as instituições têm menos qualidade: os gastos extraordinários vão para salários no sector público, pensões e subsídios. O investimento, pelo contrário, cai em ano de eleições.

O relatório do FMI sugere que os limites de gastos e de dívida como o Pacto de Estabilidade europeu podem ajudar a resolver os problemas dos países. Mas recorda que desde 1999 80% dos países da zona euro falharam nos objetivos de défice.

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