Turismo

Algarve antecipa promoções para encher quartos de hotel

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Não é apenas o verão sem sol. Turquia, Egito, Tunísia e Grécia fazem campanhas muito atrativas. Por cá também se baixa a fatura

O verão está a ser difícil na Europa do sul. À retoma dos países da Primavera Árabe juntou-se uma onda de calor na Europa central e do norte e, por oposição, no sul, onde costuma estar sol, agora está chuva. Resultado: os hotéis estão mais vazios e os hoteleiros e operadores turísticos veem-se obrigados a alguma ginástica para garantir que a melhor época do ano não se perde no nevoeiro. No Algarve, como no sul de Espanha, as promoções estão a chegar de forma antecipada para garantir que as taxas de ocupação se mantêm.

“Temos tido uma ligeira quebra nos meses de julho e agosto, sobretudo de turistas alemães e holandeses, uma realidade que é comum a Espanha e, em geral, aos países do Mediterrâneo”, explica ao Dinheiro Vivo, João Fernandes, presidente da Associação de Turismo do Algarve (ATA), reconhecendo que “nas últimas semanas têm sido evidentes as campanhas promocionais realizadas por operadores e hoteleiros” para evitar uma quebra no número de turistas.

Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), reconhece estes esforços. “É verdade que, de uma maneira geral, os hotéis e os empreendimentos turísticos do Algarve têm feito ofertas no sentido de manter os clientes e, por essa via, as suas taxas médias de ocupação. Só assim se conseguiu manter o volume de negócios mais ou menos ao mesmo nível do ano anterior.”

Os dados apurados por esta associação mostram que, em julho, a taxa de ocupação média por quarto no Algarve fixou-se em “82,5%, cerca de 3% abaixo da verificada em 2018”. Os mercados holandês e alemão foram os que apresentaram as maiores descidas, 17,5% e 13,9%, respetivamente. Desde o início do ano que a taxa de ocupação quarto tem estado ao mesmo nível do verificado em igual período de 2018.

João Fernandes destaca o comportamento positivo do mercado britânico, apesar da pressão e incerteza do Brexit, região onde têm sido feitas campanhas “muito focadas e que surtiram o efeito desejado”. Como o Dinheiro Vivo noticiou, os hoteleiros estão também a adaptar-se a esta nova realidade, com a criação de pacotes mais vantajosos para os britânicos e que passam, por exemplo, pela adaptação do produto para que a fatura seja mais competitiva para os bolsos destes turistas.

“É normal que isto aconteça quando a concorrência tem uma postura agressiva”, diz João Fernandes. O presidente da ATA refere-se à estratégia de retoma adotada por Tunísia, Egito e Turquia, que baixaram drasticamente os preços para atrair os turistas que foram desviados para outros países do Mediterrâneo. “Nós beneficiámos bastante nos últimos anos” da instabilidade política destas regiões. A Grécia tem também sido obrigada a grandes descontos de preços para bater a concorrência.

Em Espanha, o desvio de turistas está quantificado: estima-se que o país tenha recebido cerca de 15 milhões de turistas graças à situação política e social nos países da Primavera Árabe. Tal como em Portugal, foi feito um esforço para fidelizar clientes, mas o regresso em força destes mercados com preços muito baixos está a fazer-se sentir. E, tal como aqui, têm-se criado campanhas para captar clientes e encher quartos. As ofertas das grandes cadeias em Espanha chegam a apresentar descontos de 30% em zonas como Baleares, Canárias ou Catalunha, noticiou o El Mundo. O próprio CEO da Thomas Cook já admitiu que “neste ano haverá enormes descontos para atrair clientes”.

A Turquia, de acordo com um estudo da Mabrian, registou aumentos de 80% no número de turistas ingleses e alemães neste verão em relação ao ano passado. E, pelas contas desta consultora, com preços que chegam a ser 70% inferiores aos praticados em Espanha. Não há comparações para Portugal.

A AHP ainda não divulgou dados em relação ao verão. Mas a Associação da Hotelaria de Portugal garante que “as perspetivas dos hoteleiros para o verão de 2019, divulgadas no início de julho, mantêm-se sem alterações. Destinos mais consolidados, como o Algarve e Lisboa, não esperam um crescimento na taxa de ocupação, no entanto preveem que esta seja acima dos 80%. Outros destinos, como a região centro, Açores ou Alentejo, esperam um crescimento moderado na procura.”

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