Hotéis do Algarve

Algarve: Hotéis esgotam mesmo com preços a duplicar

Sazonalidade tem vindo a atenuar-se e a procura cresce com a instabilidade nos destinos concorrentes, mas os empresários pedem estratégia política para a consolidação dos resultados.
Sazonalidade tem vindo a atenuar-se e a procura cresce com a instabilidade nos destinos concorrentes, mas os empresários pedem estratégia política para a consolidação dos resultados.

Começa na segunda quinzena de julho e termina no final de agosto a grande migração dos portugueses que elegem o Algarve como destino de férias. As temperaturas do ar e da água não são significativamente mais elevadas, mas os preços dos hotéis são o dobro dos praticados apenas dois meses antes, em junho. "Os portugueses vão quando todos vão, por hábito ou conservadorismo", analisa Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Em junho do ano passado, segundo dados provisórios da AHETA, o rendimento médio por quarto disponível (revpar) no Algarve foi de 45,4 euros; em agosto, foi de 91,6 euros. Ainda assim, Elidérico Viegas prevê a habitual subida da ocupação, em agosto, para “perto dos 100%, como todos os anos”.

Seriam necessários “eventos e promoção nos destinos para atenuar a sazonalidade” tão pronunciada da região. Ainda assim, este ano, começou a notar-se um aumento da procura por parte dos residentes logo em junho: a ocupação média por quarto foi de 78%, mais 7,6 pontos percentuais do que há um ano, de acordo com a AHETA. Serão os “portugueses, os espanhóis e os britânicos, beneficiados pela desvalorização do euro face à libra” os principais responsáveis por essa subida que contribuirá para um “crescimento anual na ordem dos 5%”. A grande novidade é que, após vários anos sem recuperação das receitas, de acordo com Elidérico Viegas, “este ano, já há alguma recuperação dos preços, visto que o volume de negócios, em junho, aumentou mais do que a subida de hóspedes: 13,3% face ao mesmo mês do ano passado”.

Mas estes números referem-se apenas à metade dos turistas que ficam instalados em empreendimentos turísticos registados. Não há uma estimativa oficial quanto ao número de camas paralelas que subsistem no Algarve, apesar de o novo Regime Jurídico do Alojamento Local ter contribuído para o registo de 15 824 tipos de alojamentos. O que há, segundo Elidérico Viegas, são contas fáceis de fazer: “Se chegam ao aeroporto de Faro cerca de seis milhões de passageiros por ano e apenas cerca de três milhões ficam hospedados em empreendimentos turísticos, então há pelo menos 2,5 milhões de camas paralelas”. Para os hoteleiros, o registo do alojamento local “é uma gota no oceano” e “continua a faltar fiscalização das autoridades relativamente a essa concorrência desleal”. Há um ano, as Finanças andaram no terreno a inspecionar as casas de férias ilegais, mas, este ano, ainda não há notícia de operações semelhantes, nem foi possível confirmar se estão previstas.

Nos sites de aluguer de casa, como o HomeAway ou o Airbnb, não faltam opções para todos os gostos e carteiras. Se, nuns casos, poderá estar em causa “a rentabilização de cerca de 200 mil segundas residências”, noutros, a hotelaria não é propriamente “beliscada” pelo aluguer de tendas no jardim dos algarvios.

Também há hotéis no alojamento local

Em apenas sete meses, entre o final de novembro e o fim de junho, o novo Regime Jurídico do Alojamento Local levou ao registo de 15 824 tipos de alojamentos, dos quais mais de metade se encontram no distrito de Faro. Ao todo, 8791 alojamentos que não se enquadram nas categorias de hotelaria e que, presumivelmente, até agora estariam também entre as chamadas “camas paralelas”, foram registados no distrito de Faro (55,6% do total nacional).

De acordo com fonte da Secretaria de Estado do Turismo, a maioria daqueles alojamentos no Sul do país corresponde a apartamentos (9794 ou 61,9%), cerca de um terço são moradias (4578 ou 28,9%) e os restantes 1070 (6,8%) correspondem a estabelecimentos de hospedagem. Segundo a AHETA, alguns destes poderão estar registados em duplicado dado que as alterações jurídicas “complicaram o registo de alguns hotéis que preferiram passar para o alojamento local, mas ainda podem aparecer como hotéis noutras listagens”.

“As estatísticas levam a crer que houve um aumento de estabelecimentos e camas no Algarve que não é como parece. O que existe é um jogo terrível com as estatísticas para aumentar as dormidas no nosso turismo, incluindo as dormidas que, antes, não eram registadas. O turismo tem crescido, sem dúvida nenhuma, mas não há números fiáveis para comparação”, acusa Elidérico Viegas, da AHETA.

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