Turismo

Algarve perdeu 250 mil turistas britânicos em dois anos

(Fotografia: André Vidigal/ Global Imagens)
(Fotografia: André Vidigal/ Global Imagens)

Brexit e a consequente desvalorização da libra arrefeceu o interesse dos turistas britânicos pelo Algarve. Região vai reforçar promoção no Reino Unido

O Algarve registou, entre 2017 e 2018, uma quebra de quase 250 mil turistas britânicos, um volume equivalente aos habitantes da cidade do Porto. O Brexit foi a principal causa da contração do maior mercado emissor de turistas estrangeiros para o Algarve. E poderá continuar a fazer danos à região. “2019 é uma bola de cristal”, diz João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve. A incerteza quanto ao desfecho do processo de saída do Reino Unido da União Europeia e o tempo que irá mediar até estar concluído são nuvens cinzentas para a região. Em Faro, aterram todos os anos mais de um milhão de turistas britânicos.

Em novembro e dezembro do ano passado, os dados preliminares apontam para uma recuperação do mercado britânico. Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), embora otimista quanto a uma eventual inversão da tendência de quebra deste mercado, recorda que esses indicadores são comparados com o mesmo período de 2017, altura em que se “registaram valores muito baixos, atendendo às falências de companhias aéreas e operadores turísticos”. Acresce que, nesta época, o aeroporto de Faro tem por prática reduzir as taxas aeroportuárias, o que permite a venda de bilhetes de avião a preços mais em conta.

João Fernandes reconhece que os britânicos estão “muito sensíveis à questão do preço”, devido à desvalorização da libra, um dos efeitos mais imediatos do Brexit. O responsável recorda que a quebra de turistas ingleses foi despoletada pela decisão da saída do país da União Europeia, mas que o ressurgimento de destinos como a Turquia e a onda de calor que se registou na Primavera de 2018 naquelas latitudes também tiveram os seus efeitos.

Os números da AHETA são claros. O Algarve recebeu, no ano passado, 4,3 milhões de turistas estrangeiros, uma descida de 0,9% face a 2017, sendo que 1034 milhões foram britânicos (menos 66 mil que em 2017). Essa quebra foi compensada por um maior número de turistas espanhóis, franceses, belgas, canadianos, italianos e portugueses. Já em 2017, a região tinha contabilizado a perda de 182 mil turistas ingleses. Ainda assim, no ano passado, as receitas mantiveram a tendência de crescimento, embora mais moderado, tendo o exercício fechado com um total de 1150 milhões de euros, um aumento de 4%.

6,5 milhões em promoção

O Algarve tem uma verba de 6,5 milhões de euros para promoção externa (que não integra Espanha), da qual 10% está alocada ao Reino Unido. Para além deste envelope, a Região de Turismo do Algarve, o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado da tutela estão a desenvolver um programa de promoção do produto e do mercado junto do público britânico na sua vertente mais tradicional (sol, praia e golfe), mas também apostando em nichos como o turismo de negócios, desportivo ou cultural. Essas ações de reforço da notoriedade da região deverão estar no terreno na primavera e implicam um investimento de 600 mil euros.

Neste impasse despoletado pelo Brexit, João Fernandes frisa que as medidas previstas no plano de contingência apresentado pelo governo português são “fundamentais”, com destaque para a dispensa de visto, criação de corredores nos aeroportos para os voos provenientes do Reino Unido e a possibilidade de utilizarem o Serviço Nacional de Saúde. Como sublinha, “há 12 mil britânicos registados no Algarve, que são geradores de fluxos importantes para manter as rotas aéreas sustentáveis”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

(Artur Machado / Global Imagens)

Dinheiro Vivo mantém-se líder digital dos económicos

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, fala perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. TIAGO PETINGA/LUSA

Constâncio: Risco para a estabilidade no crédito a Berardo era “problema da CGD”

Outros conteúdos GMG
Algarve perdeu 250 mil turistas britânicos em dois anos