Algarve quer fidelizar turistas."Turquia oferece tudo e mais alguma coisa"

Em 2018, o presidente da Região de Turismo algarvia quer mostrar aos visitantes que a região não é só praia.

É região mais turística do país e no ano passado voltou a bater recordes. Em 2017, as praias algarvias atraíram mais de 19 milhões de visitantes, mais cinco milhões do que em 2012. Para este ano esperam-se novos máximos, mas os responsáveis pelo setor na região mais a sul do país não vão ficar a dormir à sombra de uma bananeira de números.

A Bolsa de Turismo de Lisboa, que arrancou esta quarta-feira na FIL, foi o palco escolhido por Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, para revelar a estratégia para 2018. A fasquia está elevada.

No ano passado, os proveitos do turismo no Algarve ultrapassaram pela primeira vez os mil milhões de euros. Em cinco anos, quase duplicaram. Uma das principais lutas da região tem sido a atração de turistas em época baixa, confessou Desidério Silva. Em 2012 não chegavam a seis milhões, e no ano passado foram um pouco mais de oito milhões, um número ainda abaixo dos desejos dos responsáveis.

As dormidas superaram a meta dos 19 milhões, sendo que destes, 15 milhões vieram de fora do país. No aeroporto de Faro aterraram 8,7 milhões de passageiros. Metade eram provenientes do Reino Unido. Durante a manhã, na apresentação da Associação de Hotelaria de Portugal, Cristina Siza Vieira tinha alertado para a diminuição de turistas britânicos como consequência do Brexit.

Face aos números, Desidério Silva chegou a outra conclusão. O número de turistas vindos do Reino Unido aumentou 0,3% no ano passado. O que acontece é que "nem todos ficam nos hotéis tradicionais".

Em 2018, o presidente da Região de Turismo algarvia quer mostrar aos visitantes que o Algarve não é só praia. "Cada vez mais os turistas querem experiências, novos conteúdos", sublinha.

A região vai apostar num programa de "Cycling and Walking", um projeto piloto com o qual Desidério Silva quer "posicionar o Algarve como destino de eleição no ciclismo e nas caminhadas de Natureza".

A aproximação do Algarve à natureza não fica por aqui. O responsável anunciou a quarta edição da Algarve Nature Week, que terá lugar na segunda semana de abril em Lagos. Está ainda prevista a criação de um Guia de Turismo de Natureza Júnior. "Há muitos algarvios que não conhecem o Algarve. Queremos fazer esse convite", destacou.

Está ainda prevista a aposta no programa Algarve Cooking Vacations, que pretende "afirmar o Algarve como destino de excelência para programas de aprendizagem culinária e gastronomia".

Até maio a região vai ainda acolher a segunda edição do programa cultural "365 Algarve", que inclui a realização de mais de 525 eventos em 16 concelhos.

"As praias já são bem conhecidas. Queremos um Algarve para todos, onde todos tenham lugar. O Algarve começa a estar no caminho da sustentabilidade. A taxa de ocupação, que há pouco tempo estava nos 50%, é de 65%. Mas queremos ir mais além. Um Algarve sustentável tem de ter uma taxa de ocupação anual de 70%", explicou o responsável.

Para Desidério Silva, a chave do sucesso passa pela fidelização de quem visita a região pela primeira vez.

"Temos de trazer mais gente para a região, para criar mais emprego e mais negócio. Se não formos capazes de receber bem e criar condições para encantar os turistas, não tenham dúvidas... A Turquia está a oferecer tudo e mais alguma coisa. O Egipto está a querer recuperar. Esses países estão a tentar sair da crise. Entre o que é a oferta só pelos preços, nós não conseguimos ser competitivos. Só o vamos conseguir se tivermos qualidade", sublinhou o responsável.

Desidério concluiu com um apelo aos agentes do setor, para que tornem o Algarve num destino "multifacetado, com propostas para todo o tipo de turistas, independentemente da sua motivação, idade ou nacionalidade".

A Bolsa de Turismo de Lisboa decorre nos quatro pavilhões da FIL até ao próximo domingo.

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