Turismo

Alojamento local. Preço sobe 76% em Lisboa no réveillon e duplica no Porto

Lisboa. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Lisboa. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Aumento da procura justifica subida de tarifas dos alojamentos na plataforma Airbnb. Rentabilidade dos imóveis portugueses deu o salto em 2017.

O alojamento local está praticamente esgotado nas cidades de Lisboa e Porto para a noite de passagem do ano. E os preços estão a bater recordes, de acordo com a plataforma AirDNA. Aumentaram 76,5% em Lisboa e mais do que duplicaram (126%) no Porto, em relação a dezembro do ano passado. A tarifa mediana para o réveillon é de 113€ euros em Lisboa e de 129 euros no Porto, a cidade mais cara do país.

A escassa oferta de alojamento para o Ano Novo, de apenas 356 unidades no Porto e de 739 em Lisboa, e o forte aumento da procura turística, proporcionado pela maior notoriedade internacional dos destinos nacionais, explica o boom dos preços. E é transversal a praticamente todo o país: Aveiro está com tarifas 108,5% acima da média do mês de dezembro do ano passado; em pleno Algarve, outro destino de eleição para os turistas, Portimão cobra mais 37%; a Guarda, com a neve na serra da Estrela a esgotar os hotéis, o preço do alojamento local subiu 6,7% e a Madeira, famosa por receber o Ano Novo com magníficos fogos de artifício, está 15,7% mais cara, ainda que com valores medianos muito inferiores aos praticados em Lisboa e Porto.

O valor do mercado do alojamento local aumentou consideravelmente a partir de março, segundo a plataforma de negócio AirDNA. Mas a sazonalidade é ainda muito elevada, com agosto a valer mais do triplo de dezembro. Ao todo, as receitas do alojamento local em Lisboa e Porto valeram mais de 40 milhões de euros no pico do verão, numa altura em que a hotelaria registava 393 milhões de euros de proveitos de aposento.

Com um ano bom para o turismo, as propriedades de alojamento local mais rentáveis de Lisboa e do Porto deverão faturar mais de 100 mil euros este ano. O AirDNA diz quais são. Em Lisboa, uma casa de luxo com terraço, perto da Basílica da Estrela, irá render 190 250 euros; um palácio no Bairro Alto dá 109 448 euros em receitas; e um apartamento com piscina aquecida no terraço deverá faturar 106 793 euros. No Porto, uma moradia na Baixa vai faturar 124 826€ euros; um apartamento T1 na Foz deverá render qualquer coisa como 113 033 euros; e um prédio na Baixa com nove quartos, 98 700 euros.

Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local, considera “normal a subida de preços numa altura de maior procura como a passagem de ano. É a semana entre o Natal e o Ano Novo que salva a rentabilidade dos meses de dezembro e de janeiro”. E assegura que, ao contrário do que mostra o Airbnb, o preço médio dos T1 e T0 arrendados no Porto, por exemplo, para a noite de 31 de dezembro é de apenas 78€ e 74 euros, respetivamente.

Além disso, refere Eduardo Miranda, os dados tratados automaticamente pelo AirDNA criam “erros de perceção no caso português”. Primeiro, porque “somam as taxas extra, como as de limpeza ou de late check-out à tarifa média” e esses valores “não são habituais em Paris ou em Nova Iorque”, pelo que a tarifa nacional apresentada pela ferramenta norte-americana estará inflacionada.

“E é preciso não esquecer que essa tarifa média não distingue T0 ou T1 de um T12, portanto não corresponde a um valor real quando a tipologia mais frequente no Porto é o T0/T1 e em Lisboa é o T2+1”, acrescentou.

E quanto à rentabilidade anual das propriedades? “O cálculo é feito extrapolando o valor que a tarifa média permite obter mediante a taxa de ocupação. E é errado, porque há casos onde a tarifa desce quanto maior for a ocupação”. Para ultrapassar estas disparidades, Eduardo Miranda revelou que a associação “está a trabalhar numa ferramenta de negócios do alojamento local português que inclua todas as especificidades que o AirDNA não contempla”.

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