Cortiça

Amorim. Baterias apontadas aos destilados envelhecidos como o conhaque e o rum

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Amorim quer ajudar à subida na cadeia de valor dos espirituosos pela sua associação à rolha de cortiça.

A premiunização é a grande tendência mundial no negócio das bebidas e a Corticeira Amorim está apostada em tirar partido disso. Não só conquistando quota aos vedantes alternativos nos vinhos e nos espumantes, mas, sobretudo, partindo à conquista dos espirituosos, como o conhaque, o whiskey, o bourbon, a tequila ou o rum. “É o nosso grande desafio. São 43 mil milhões de garrafas ao ano, temos aqui um mar a conquistar”, diz António Rios Amorim. Como? “Pela premiunização. Pelas vantagens que a cortiça apresenta ao valorizar o packaging dos espirituosos, designadamente dos que são envelhecidos”, especifica.

E foi, precisamente, a preparar esta abordagem aos destilados que a Corticeira comprou, em julho, 50% do capital da Vinolok, empresa sediada na República Checa e que é o único fabricante do mundo de rolhas de vidro. A ideia é associar a cortiça ao vidro e ao cristal, criando verdadeiras peças de arte para vedar e embelezar algumas das garrafas mais icónicas do mundo. O que não significa que o grupo desinvista nas rolhas mais tradicionais, para vinhos e espumantes. Bem pelo contrário, até porque as rolhas pesam 72,5% no volume de vendas do grupo. Mas, dos 20 mil milhões de garrafas produzidas por ano no mundo, só 13 mil milhões levam rolha de cortiça. A Amorim fornece 5,5 mil milhões e quer conquistar cada vez mais negócio aos vedantes alternativos. “Temos de ser ambiciosos e temos de acreditar que a cortiça, que fez cair o plástico de quatro para dois mil milhões de unidades, também vai conseguir ganhar quota aos restantes produtos”, diz.

Assegurada a “melhoria significativa da performance do produto” e desenvolvidas novas rolhas capazes de entrar no segmento dos vinhos mais competitivos e de consumo mais rápido, o “grande desafio e o grande compromisso” é, agora, o de erradicar o TCA, o chamado “gosto a rolha” até ao final de 2020. Uma das áreas em que mais tem investido. Só em 2019 foram 30 milhões de euros e, em 2020, serão mais 27 milhões, duplicando a área de robôs de uma fábrica que é já das mais automatizadas e digitalizadas do país.

Para o combate às cápsulas de alumínio, o grupo conta com a Helix, a sua rolha de cortiça de extração fácil (de rosca) lançada em 2013 e que vende 40 milhões de unidades ao ano. Um número que não satisfaz o gestor. “Tem vindo a crescer, mas devíamos estar a fazer mais”, defende. A estratégia terá de passar por convencer também a distribuição que “é possível ter conveniência e sem produtos contaminantes como o alumínio”.

E o preço mais elevado da Helix não pode servir de elemento dissuasor. “Pode pagar mais dois, três ou cinco cêntimos, mas se comunicar as vantagens da diferenciação da cortiça vai conseguir vender o seu produto um ou dois euros mais caro”, argumenta. Dois dos maiores produtores de vinhos dos EUA já usam a Helix e a Co-op, o maior retalhista alimentar do Reino Unido, fez o lançamento da rolha Helix nas suas lojas com um vinho da Adega de Vila Real. “É um produto de tal forma disruptivo que a sua implantação não é óbvia e vai levar mais algum tempo”, reconhece António Rios Amorim.

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