Empresas do turismo "estão presas por arames"

Francisco Calheiros considera haver um problema de falta de mão-de-obra, porque até estava a ser 'sexy' trabalhar no setor, mas com a pandemia "tudo ficou congelado"

Dinheiro Vivo/Lusa
Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal © ANDRÉ KOSTERS/LUSA

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) instou o Governo a pôr em prática medidas de apoio que ficaram "no papel", porque as empresas "estão presas por arames" e corre-se o risco de "morrer na praia".

"Muitas das empresas , neste momento, estão presas por arames. E qual é o problema? O problema é que não podemos morrer quando estamos a chegar à praia. Quer dizer, estamos a ver a praia e este esforço de um ano e meio é fundamental que não seja infrutífero", considerou Francisco Calheiros, em entrevista à agência Lusa.

O presidente da CTP acredita que em março de 2022 o setor vai retomar a sua atividade normal, com a aproximação do Carnaval e da Páscoa, bem como com o fim do período de época baixa, que se inicia agora em outubro.

"Eu diria que em março nós vamos retomar a nossa atividade normal, são cinco ou seis meses", apontou, acrescentando que, no seu entender, o Estado deve "rapidamente" passar "do papel" à prática as medidas de apoio preconizadas, ou mesmo criar outras medidas que ajudem as empresas a ultrapassar o período difícil.

O responsável reiterou os elogios à atuação do Governo no início da pandemia, no que diz respeito ao apoio às empresas, no entanto, considerou que, um ano e meio depois, "os apoios estão esgotados".

Francisco Calheiros lembrou a criação do Plano Reativar Turismo (PRT), com 6.000 milhões de euros, dos quais 4.000 milhões são exclusivamente para apoiar empresas.

"O programa está muito bem desenhado, fundamental, mas está no papel. Tem que sair do papel. Há 4.000 milhões para as empresas, há medidas fundamentais de capitalização das empresas, uma série de instrumentos financeiros para a capitalização das empresas, mas que não saíram do papel", considerou.

"Se há um ano e meio, se a medida demorasse uma semana ou duas não era grave, porque as empresas estavam muito capitalizadas, neste momento não há uma semana, ou duas, uma hora, ou duas. Cada hora que passa a situação é mais dramática, mais ainda quando daqui uma semana estamos a entrar na época baixa de outubro", alertou.

Estava a ser "sexy"

O presidente da CTP admite que há um problema de falta de recursos humanos, porque até estava a ser 'sexy' trabalhar no setor, mas com a pandemia "tudo ficou congelado".

"Há, de facto, falta de pessoal , não há dúvida nenhuma, isso é um problema com que nós nos deparamos. É um problema que temos que abordar com muita frontalidade e é um assunto que tem sido muito discutido nas direções da CTP", afirmou Francisco Calheiros, em entrevista à Lusa.

"Estava a ser 'sexy' na altura , estava a ser uma moda trabalhar no turismo. Com esta pandemia, tudo ficou congelado", acrescentou o responsável.

Francisco Calheiros considerou que o setor do turismo em Portugal está a jogar na 'Champions League', numa analogia ao futebol, acrescentando que o setor "tem que ser o Ronaldo", ou seja, "o ponta de lança da economia portuguesa".

Para o presidente da CTP, a atratividade de um setor da economia, em termos de recursos humanos, aparece quando o setor se torna "vencedor", o que tem de ser também "associado a maiores ordenados".

Quanto à recuperação dos efeitos da crise pandémica, Francisco Calheiros considerou que "é altura de haver um reforço muito grande da promoção" de Portugal enquanto destino turístico, uma vez que todos os destinos concorrentes sofreram os mesmos problemas e a competitividade é agora maior.

"Nós temos de chegar à frente,

sobretudo com as armas que temos", sublinhou, destacando o facto de Portugal "ser o destino mais vacinado do mundo" como uma dessas 'armas'.

O Dia Mundial do Turismo assinala-se no dia 27 de setembro, segunda-feira, tendo a CTP assumido, há cerca de 10 anos, a celebração da efeméride.

"É uma época importantíssima, é sempre no dia 27 de setembro, é o fim de uma primeira época, é já uma projeção do ano, as perspetivas do ano que vem, é um orçamento geral de estado que por acaso coincide numa data extraordinariamente importante", apontou o presidente da CTP.

Este ano, o dia será marcado pela realização de uma conferência, em Coimbra, com lugares ainda limitados, devido à pandemia, que conta com a participação de vários representantes de entidades públicas e privadas ligadas ao turismo.

"É uma imagem de união muito importante, está lá toda a gente", considerou Francisco Calheiros, adiantando que serão discutidos temas prementes, como o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Plano Reativar Turismo (PRT), a questão da sustentabilidade, a TAP e o novo aeroporto da região de Lisboa.

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