A transformação que está a operar na Galp, Brisa e BCP

Energia, mobilidade, finanças. Três áreas que têm um impacto direto no quotidiano. E que estão em plena transformação. Empresas como Galp, Brisa e BCP são hoje completamente diferentes do que eram em 2012. E serão, seguramente, muito diferentes daqui a 10 anos. Mas essa mudança está já em curso.

Alexandra Costa
Teresa Abcasis, Administradora da Galp © Diana Quintela/ Global Imagens
Marta Sousa Uva, CEO da A-To-Be by Brisa © Diana Quintela/ Global Imagens
Maria José Campos, administradora do BCP © Rita Chantre/ Global Imagens

Durante anos e anos o público associou a Galp a uma petrolífera pura e dura. Mas, durante o debate sobre "Transformação para o futuro que já começou", por ocasião da comemoração dos 10 anos do Dinheiro Vivo, Teresa Abecasis, administradora da Galp, desmistificou essa noção. A Galp transformou-se radicalmente. E para isso contou com a inovação, que, acrescentou Teresa Abecasis, é fundamental, ainda mais para empresas como aquela que administra e, principalmente, para os seus clientes.

Para Teresa Abecasis hoje "enfrentamos o desafio de uma geração que é a descarbonização da forma como vivemos e isso implica descobrir 40% do que nos vai permitir descarbonizar". Algo que só é possível com inovação, mas também como muitos testes e com colaboração.

A Galp neste momento tem diversos projetos em mãos com o objetivo de ser neutra em carbono em 2050. Para tal vai investir, através do Upcoming Energies, 180 milhões de euros até 2025 para a criação de um ecossistema que reúna especialistas de várias matérias e que permita o desenvolvimento de projetos que, por exemplo, trabalhem novas formas de descarbonização e novas formas de energias verdes. A par disto a empresa está a transformar antigas refinarias - nomeadamente Sines - transformando esses espaços em autênticos hubs de inovação. No caso de Sines, por exemplo, a refinaria vai ser reconvertida para energia renováveis, nomeadamente a produção de energia solar, biocombustíveis e hidrogénio verde. E há ainda a questão do lítio. A administradora da Galp considera que Portugal tem o potencial de se tornar um centro nevrálgico de lítio na Europa. Algo essencial para a descarbonização e principalmente para a mobilidade sustentável dos passageiros. Sobre isto a administradora da Galp revelou que a empresa conta ter um projeto em funcionamento em finais de 2025 (já a produzir), num total de 400 milhões de euros de investimento e que vai permitir criar 1.500 postos de trabalho qualificado e especializado.

Mas a descarbonização não se faz apenas com uma mudança nas fontes de energia. há que transformar a infraestrutura. E é aqui que entra a A-To-Be by Brisa, o braso tecnológico da Brisa. E sobre isso a sua CEO, Marta Sousa Uva, apontou a questão dos veículos autónomos. "Não se trata de se, mas sim de quando", afirmou, acrescentado que a sua empresa acredita num sistema de inovação aberta, assete em parcerias. E referiu que "estamos a trabalhar em projetos pilotos onde testamos coisas tão simples como possibilitar que o veículo e a infraestrutura consigam enviar informação". complexo? Nem por isso. imagine a seguinte situação. Está a circular numa autoestrada e depara-se com imenso nevoeiro. No futuro quer a viatura, quer a infraestrutura, irão enviar comunicar e alertar todos os condutores sobre esse evento.

Para Marta Sousa Uva para esse futuro (e para os veículos autónomos) é muito importante a tecnologia 5G. "A mobilidade do futuro e as autoestradas serão radicalmente diferentes".

Por outro lado, alerta a executiva, não basta pegar num bom produto e exportá-lo. Porque, sem inovação contínua, esse produto rapidamente se torna obsoleto. E é aqui que trabalhar em parceria, em ecossistemas de inovação abertos, faz toda a diferença.

Maria José Campos, administradora do BCP, por seu lado, afirmou que não são só os investidores que valorizam, hoje em dia, as empresas sustentáveis. O mesmo acontece com os stakeholders. E isso vai ser ainda mais predominante no futuro, com a sustentabilidade a ditar a capacidade de financiamento de uma empresa.

Falando em banca a administradora do BCP referiu que, se numa primeira fase a transição digital da banca teve em mente a experiência do cliente, o facilitar os processos, hoje aposta mais na inovação de produtos e serviços.

No entanto essa digitalização não ocorreu apenas na banca. Todos os setores foram impactados. "Em 2021 até a própria indústria de cibercrime se industrializou", referindo-se aos incidentes das últimas semanas. "Nas últimas semanas os ataques de phishing aos clientes dos bancos têm sido constantes", afirmou, referindo que a questão da segurança tem de ser um esforço de todos. "A banca é provavelmente o setor que mais investiu em cibersegurança", afirmou, acrescentando que o foco agora é no "estarmos preparados para reagir". Porque, mais dia menos dias "as empresas serão atacadas". E aqui entra um outro problema: a falta de literacia em cibersegurança. Não é por acaso que "95% dos ataques estão ligados a falhas humanas". Algo que só se ultrapassa com um grande esforço conjunto na promoção da literacia em cibersegurança. Um esforço que abarque todos os setores. Porque a confiança digital é absolutamente fundamental para o progresso e desenvolvimento económico.

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