Banco de Portugal vê inflação recorde de 7,8% este ano e travagem a fundo da economia em 2023

Banco de Portugal avisa que "o rendimento disponível real estagna em 2022, condicionado pelo perfil da inflação, enquanto a taxa de poupança se reduz de 9,8% para 4,9%".

Luís Reis Ribeiro
O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, durante uma conferência de imprensa do Boletim Económico © ANDRÉ KOSTERS/LUSA

A inflação deste ano deverá rondar uma média de 7,8%, revelou esta quinta-feira, o Banco de Portugal (BdP), naquela que é a estimativa mais elevada feita até agora pelas principais instituições que seguem a economia portuguesa. Em junho, o Banco liderado por Mário Centeno dizia cerca de 5,9%.

A base de cálculo usada para esta inflação é a que permite comparar com os restantes países da União Europeia, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC). Em todo o caso, os valores são muito próximos da inflação dita normal, não harmonizada.

Antes desta estimativa do BdP, que vem no novo boletim económico de outubro, a inflação mais elevada era a do Conselho das Finanças Públicas (CFP), calculada em setembro, que aponta para 7,7%.

O governo fez o Orçamento do Estado para 2022, entregue em abril, baseado numa inflação de 4%. Segundo o BdP, vai ser praticamente o dobro.

O crescimento estimado para 2022 também foi revisto em alta ligeira, de 6,3% para 6,7%, devendo evitar assim uma recessão na reta final deste ano. Nisso Centeno parece dar respaldo ao primeiro-ministro António Costa, que diz descartar uma contração da atividade, para já.

Mas depois, continua o BdP, a economia já deve sofrer a sério no ano que vem, quando os efeitos da atual crise atingirem com máxima força as famílias e as empresas em Portugal.

No boletim económico (outubro), que só faz contas para 2022, o banco central diz que "as perspetivas de curto prazo para a economia portuguesa deterioraram-se, refletindo as repercussões da invasão da Ucrânia".

E acrescenta que "o impacto dos choques adversos que ocorreram ao longo do ano será mais notório em 2023, antecipando-se uma desaceleração significativa da atividade económica face a 2022".

Este ano, o rendimento das famílias portuguesas deve ficar estagnado e o investimento das empresas avançará de forma muito débil.

"O rendimento disponível real estagna, condicionado pelo perfil da inflação, enquanto a taxa de poupança se reduz de 9,8% para 4,9%", diz o BdP.

Alarme no investimento e no PRR

"O investimento abranda, crescendo 0,8%, num ambiente de restrições de oferta, aumento dos custos de produção, agravamento das condições de financiamento, baixa execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e elevada incerteza", alerta o Banco.

Nesse sentido, o BdP insiste que "num enquadramento externo e financeiro mais desfavorável, é urgente acelerar a prossecução das reformas no âmbito do PRR e promover uma utilização efetiva e eficaz dos respetivos fundos, para sustentar o crescimento económico no curto e médio prazo".

A destoar estão as exportações movidas sobretudo a turismo. "As exportações de bens e serviços mantêm um dinamismo elevado (17,9%), acima da procura externa, implicando ganhos adicionais de quota de mercado. Esta evolução é impulsionada pelas exportações de serviços, em particular os relacionados com o turismo."

 © Banco de Portugal

(atualizado 11h45)

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