China? Já era. Agora é na maior democracia do mundo que o mundo da bola pensa em apostar

João Almeida Moreira
Mumbai © Indranil MUKHERJEE / AFP

Dizer que a China é o futuro do negócio do futebol é uma ideia muito das primeiras décadas do terceiro milénio. O que estará na moda nas próximas décadas é apostar na Hero Indian Super League, o campeonato da segunda nação com mais habitantes na Terra e maior democracia global, a Índia.

O Borussia Dortmund, por exemplo, já lançou uma parceria com o Hyderabad FC: os alemães trocam expertise por expansão da marca.

O Basel comprou uma parcela do Chennayin FC, o Rangers assinou ligação de dois anos ao Bengaluru FC e o Red Bull Leipzig investiu no FC Goa e até contratou jogadores goeses promissores.

Como não podia deixar de ser, o City Group, dono de Manchester City e companhia, também se moveu e já comprou o Mumbai City, atual campeão.

O campeonato indiano foi fundado em 2014 pela IMG, potência nova-iorquina especializada na gestão de eventos desportivos, pela indiana Reliance, gigante multinacional da área da energia, e pela Star Sports, braço indiano da Disney. Os modelos de competição da Hero Indian Super League são a MLS, liga americana de futebol, e a Twenty20, o multimilionário campeonato de cricket local.

Transmitida para mais de 80 países, a liga indiana vem atraindo o interesse de treinadores europeus com pedigree, como o inglês Robbie Fowler, este ano, ou o português Jorge Costa, no ano passado, e ao longo das primeiras edições de estrelas do nível de Roberto Carlos, Tim Cahill, Asamoah Gyan, Robert Pires, Nicolas Anelka, David Trezeguet, Alessandro Del Piero, David James, Elano, Diego Forlán ou Luis García, entre outros.

Não é só o mercado gigantesco, entretanto, que chama a atenção de marcas e craques - é também a enorme paixão pelo desporto-rei no país. Até os magnatas do cricket e de Bollywood, os dois únicos fenómenos que superam o futebol no coração do povo, já compraram os seus clubes de futebol.

A edição 2020/21, por causa da pandemia, foi disputada numa bolha - a região de Goa, capital informal do futebol indiano, cedeu os três estádios para a realização de todos os jogos. O maior deles na cidade de Vasco da Gama, o navegador português que inspirou o título deste texto.

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