Frente Comum avisa que não vai haver paz social com aumentos de 0,9%

A atualização salarial de 0,9% que está a ser aplicada desde janeiro "não é suficiente" e "não vai ser possível garantir paz social" com esta "imposição" do Governo, declarou o líder sindical Sebastião Santana.

Lusa
Manifestação nacional contra o Empobrecimento convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, contra a atualização salarial de 0,9%, que agrava a perda de poder de compra em 2022, em Lisboa © TIAGO PETINGA/LUSA

O líder da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública avisou esta sexta-feira, durante uma manifestação nacional, em Lisboa, que "não vai ser possível garantir paz social" se o Governo mantiver a atualização salarial de 0,9% este ano.

Sebastião Santana falava aos jornalistas durante a manifestação promovida pela Frente Comum, que arrancou cerca das 14h30 do Marquês de Pombal e culminou frente à Assembleia da República perto das 16h00, com a participação de milhares de trabalhadores de vários setores da Administração Pública de todo o país, a exigir aumentos salariais.

A atualização salarial de 0,9% que está a ser aplicada desde janeiro "não é suficiente" e "não vai ser possível garantir paz social" com esta "imposição" do Governo, declarou o líder sindical, sublinhando a "grande manifestação" de hoje que levou a Lisboa "milhares de trabalhadores".

A manifestação ocorreu a uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), mas para Sebastião Santana "ainda há tempo para o Governo alterar estas políticas" porque, "caso contrário, o que está a comprar é mais disto, mais contestação social", afirmou.

"Os trabalhadores da Administração Pública não estão dispostos a empobrecer a trabalhar", frisou Sebastião Santana, defendendo que o aumento de 90 euros que a Frente Comum reivindica "permitiria repor parte do poder de compra" aos trabalhadores.

Entre os manifestantes que entoavam palavras de ordem e agitavam bandeiras frente à escadaria da Assembleia da República, estava Arlinda Melão, 58 anos, assistente técnica na Câmara Municipal de Almada há 20 anos.

"Há 20 anos que temos os ordenados estagnados, não há aumentos, não há progressão na carreira, estamos quase na base", disse Arlinda à Lusa, indicando que decidiu participar na manifestação por melhores direitos e "por uma vida melhor para os nossos filhos e netos".

"Temos de lutar, na rua é que a gente ganha as lutas, não é nos escritórios, temos de vir para aqui", rematou a funcionária pública.

Também Lídia, 43 anos, rumou de Albufeira, onde trabalha como assistente técnica há 22 anos, a Lisboa, acompanhada pela filha adolescente e uma amiga desta.

"Não tiveram escola, a escola fechou por causa da greve e vieram aqui, desde pequeninas, para aprender a lutar pelos nossos direitos", afirmou Lídia enquanto segurava uma faixa com as reivindicações dos trabalhadores.

Já Ana Luísa Travessa, 44 anos, considerou "muito injusto" que ao fim de 22 anos a trabalhar na Câmara de Serpa, o Estado continue a "pagar pouco às pessoas" e "não conseguir fazer a distinção" entre quem entra e quem trabalha há mais tempo na mesma entidade.

"Achamos muito injusto estarmos a trabalhar e a ficar cada vez mais pobres. Tudo aumenta no nosso país menos o nosso salário", afirmou Ana Luísa, acrescentando que são precisos "100 anos para chegar ao topo da carreira" e que esta situação "não é uma piada".

Técnico de informática na câmara de Aljustrel há cerca de 20 anos, Vasco Santana, de 43 anos de idade, foi a Lisboa marcar presença na manifestação por considerar que "não houve nada neste momento até agora no nosso país que não fosse exigido pelos trabalhadores".

"Tudo o que conseguimos conquistar até agora foi através da luta, de estarmos na rua, e tem de ser assim porque ninguém nos vai dar nada se não o exigirmos", rematou Vasco Santana.

Os trabalhadores de diferentes setores da administração pública, de várias zonas do país, participam na manifestação nacional "contra o empobrecimento" organizada pela Frente Comum de Sindicatos, afeta à CGTP, que reivindica aumentos salariais de 90 euros, face à atualização de 0,9% para este ano definida pelo Governo.

Para os trabalhadores poderem participar na manifestação, a Frente Comum emitiu avisos pré-avisos de greve, que estão a ter impacto no funcionamento dos serviços públicos, tendo encerrado escolas e provocado constrangimentos em serviços de saúde, nomeadamente nas consultas externas, indicou à Lusa no local Sebastião Santana.

Na manifestação marcou presença a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, que à chegada à Assembleia da República, saudou os manifestantes e lembrou que a central marcou uma manifestação para dia 27, junto ao parlamento, na data em que será votado o OE2022, e dar início a um conjunto de lutas por todo o país, em junho.

Além do aumento geral dos salários em 90 euros, a Frente Comum reivindica a correção da Tabela Remuneratória Única, o descongelamento efetivo das promoções e das progressões nas posições remuneratórias e a revisão do sistema de avaliação de desempenho.

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