Kaizen Institute: 82% dos empresários defendem a redução de impostos para aumentar o PIB

Dados do Barómetro Kaizen mostram que 76% dos inquiridos preveem já cumprir ou mesmo ultrapassar os objetivos estabelecidos para as suas empresas em 2021

Ilídia Pinto
 © Paulo Spranger

Quase três quartos dos empresários portugueses (73%) duvida que o objetivo da redução da dívida pública seja cumprido até 2022, embora 57% dos gestores concordem que diminuir a dívida é "uma ação prioritária" para alavancar o crescimento da economia nacional. Sobre as medidas necessárias para fazer crescer o produto interno bruto do país para níveis superiores ao valor pré-pandemia a esmagadora maioria dos inquiridos (82%) aponta o alívio da carga fiscal e 57% a atração de investimento estrangeiro.

Estes são dados da edição de novembro do Barómetro Kaizen, que recolheu as respostas de mais de 200 gestores de médias e grandes empresas que atuam em Portugal e que, no seu conjunto, são responsáveis por mais de 35% do PIB nacional. Em comunicado, sublinha o Kaizen Institute em Portugal que os resultados desta edição "mostram os empresários ainda cautelosos relativamente ao grau de confiança na economia nacional cujo valor revela um crescimento pouco expressivo de 10,4 , em março de 2021, para 11,1 (numa escala de 0 a 20)". Mesmo assim, 68% dos gestores mantêm-se confiantes na progressão da economia, "ainda que a um ritmo mais lento". Mas há 20% dos inquiridos que defendem que Portugal irá sofrer os efeitos do abrandamento de outras grandes economias, "podendo vir a estagnar ou a entrar em recessão".

Quanto ao desempenho das suas próprias empresas, os dados são de grande otimismo, já que 40% preveem cumprir as metas que haviam estabelecido para 2021 e 36% acreditam mesmo que as vão ultrapassar. O Plano de Recuperação e Resiliência não parece convencer os empresários: 60% dos inquiridos dizem que não vão rever os seus planos e estratégia de três a cinco anos por causa destes fundos.

A inovação e lançamento de novos produtos (79%), a melhoria dos processos de marketing (44%) e a capacitação da força de vendas e melhoria dos processos comerciais (43%) são as principais iniciativas estratégicas que as empresas pretendem seguir para crescer. O estudo revela ainda que a redução de custos nas organizações tem vindo a ser atingida através do aumento de produtividade, segundo 85% dos inquiridos, e da automatização dos processos, apontada por 83% dos gestores.

"Apesar de a percentagem dos que esperam cumprir ou ultrapassar os seus objetivos de negócio ser elevada, há muitas empresas que ficaram aquém do que se propuseram. Na verdade, está criada a consciência empresarial de que a excelência operacional já não garante a liderança de uma empresa no seu setor de atividade, é necessário somar-lhe a excelência na inovação e no marketing e vendas", refere, citado no comunicado, António Costa, Senior Partner do Kaizen Institute Western Europe, que acrescenta: "​Somos da opinião que o sucesso depende, na sua maior parte, das decisões estratégicas das nossas empresas e menos de fatores externos. No centro destas decisões não pode faltar o foco no talento e sua retenção, a otimização dos processos alavancada pela sua digitalização e ainda a inovação da proposta de valor".

O inquérito debruçou-se, ainda, sobre o trabalho remoto, sendo que 60% dos gestores referem que, em 2022, irão manter um modelo de trabalho híbrido, embora "maioritariamente presencial". E 35% dos inquiridos diz que terá 100% de trabalho presencial. A atribuição de bónus e outras compensações são, para 47% dos gestores uma das principais estratégias para atrair talento, seguindo-se a progressão de carreira (46%) e os aumentos salariais (41%) como formas de reter os colaboradores.

Sobre a transição digital, 41% dos gestores revela que avançou para a digitalização das suas operações, sem antes proceder à otimização dos seus processos e definir uma estratégia transversal à organização.

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