Líder da Ryanair anuncia novas rotas e ataca Pedro Nuno Santos

TAP devia receber no máximo mil milhões de euros e ministro das Infraestruturas deve um pedido de desculpas, entende Michael O"Leary.

Diogo Ferreira Nunes
Michael O"Leary, CEO da Ryanair © José Carmo/Global Imagens

O líder do grupo Ryanair passou ontem por Portugal com o anúncio de três novas rotas e ataques a Pedro Nuno Santos na agenda. Entre Lisboa e o Porto, Michael O"Leary distribuiu ainda vários recados à TAP na véspera da aprovação da nova administração da companhia aérea portuguesa.

Neste verão, embora opere com 80% da oferta antes da pandemia em Portugal, vai lançar três novas rotas: Lisboa-Colónia (Alemanha); Faro-Belfast (Irlanda do Norte); e Faro-Teesside (Inglaterra).

A partir do Porto, onde a companhia tem a maior operação nacional, só no verão do próximo ano serão lançados novos destinos, assim que chegarem novos aviões à base instalada no aeroporto de Sá Carneiro.

O líder irlandês assinalou também que países como a Alemanha e regiões como o Benelux, Escandinávia e Europa do Leste estão a ter maior recuperação na procura pelos voos para Portugal. As restrições pandémicas desaceleraram as compras de britânicos e de irlandeses, acrescentou O"Leary.

Com 8500 empregos criados em Portugal (500 dos quais diretos), a Ryanair afirma-se como "um grande investidor" nacional e apontou baterias a Pedro Nuno Santos. "O ministro devia pedir desculpas à segunda maior companhia aérea portuguesa" por cinco alegadas mentiras do governante sobre a companhia irlandesa.

Da "guerra comercial" ao "dumping social", passando pelos subsídios e o desrespeito pelos trabalhadores, o executivo irlandês defende-se com concorrência justa, os acordos com os sindicatos de pilotos e de tripulantes e ainda o pagamento de 138 milhões de euros em taxas e impostos.

Sobre o resgate da TAP, o ataque do irlandês foi ainda mais incisivo. "O Estado português está a deitar dinheiro para a sanita. O ministro não devia desperdiçar 3,5 mil milhões de euros dos contribuintes portugueses."

O"Leary entende que a TAP, "no máximo", deveria ter uma ajuda de mil milhões de euros. O restante montante "deveria ser investido em escolas, hospitais e no aeroporto do Montijo", que deve ser aberto "assim que for possível" para que a Ryanair ganhe espaço no aeroporto da Portela.

O irlandês alega mesmo que não consegue crescer em Lisboa "porque a TAP fica com as slots todas mesmo quando não as utiliza".
Hoje será oficializada a nova liderança da TAP, com Christine Ourmières-Widener a comandar os destinos da companhia portuguesa. A antiga presidente executiva da Flybe é vista por O"Leary como uma "boa executiva da aviação" e que "vai fazer um bom trabalho" na companhia portuguesa "conforme o que for autorizada a fazer".

Para o líder da Ryanair, "a interferência do Estado e o poder dos sindicatos impedem a TAP de ser eficiente. A TAP não terá futuro enquanto não for low-cost e eficiente".

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