O preço das casas em Portugal aumentou 8,4% em 2020, mas o ritmo de crescimento foi travado pela pandemia do novo coronavírus, verificando-se uma redução de 1,2 pontos percentuais (p.p.) face a 2019, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE).
As casas usadas apresentaram, no ano passado, um aumento médio de 8,7%, mais que o preço das casas novas que cresceu 7,4%, segundo o Índice de Preços da Habitação publicado esta terça-feira pelo INE.
No ano passado, foram vendidas 171 800 habitações, uma queda de 5,3% face a 2019. Em valor, as casas transacionadas totalizaram 26,2 mil milhões de euros, um aumento de 2,4% face ao ano anterior.
Segundo o INE, pela primeira vez desde 2012, o número de transações diminuiu, refletindo o contexto económico adverso decorrente da pandemia.
A venda de casas novas aumentou 9,3%, para 5,4 mil milhões de euros e o das habitações existentes aumentou 0,7% para 20,8 mil milhões de euros.
No último trimestre de 2020, a taxa de variação homóloga do índice dos preços da habitação foi 8,6%, mais 1,5 p.p. que no trimestre anterior.
Neste período, os preços das habitações existentes aumentaram a um ritmo inferior ao das habitações novas, 8,5% e 9,0%, respetivamente.
Entre outubro e dezembro de 2020, foram vendidas 49 734 habitações, o que traduz uma taxa de variação homóloga de 1% e um aumento, face ao trimestre anterior, de 10,2%.
Nos últimos três meses do ano, o valor das habitações vendidas ascendeu a 7,5 mil milhões de euros, mais 8,7% face a idêntico período de 2019.
Lisboa perde força
No ano passado, a região norte (28,7%) e o centro (20,0%) concentraram 48,7% do número total de transações, o peso relativo conjunto mais elevado desde 2014, revela o documento do INE. Estas duas regiões representaram, em conjunto, 37,3%, do valor total das habitações
transacionadas.
Já a Área Metropolitana de Lisboa, pelo segundo ano consecutivo, registou uma redução de 1 p.p no seu peso relativo regional, fixando-se em 33,5%. No valor das transações realizadas representou 45,4%, sendo que 2020 foi o terceiro ano consecutivo em que esta região registou uma redução do seu peso relativo no valor total das vendas de habitações.
As transações no Algarve representaram 7,6% do total, menos 0,7 p.p. face a 2019. Esta região observou também uma diminuição do respetivo peso relativo, -0,7 p.p., perfazendo 10,2%
O Alentejo (6,9%) e a Madeira (1,8%) foram as outras regiões, apar com o norte e centro, a apresentar um aumento nas quotas do número de transações de 0,7 p.p. e 0,1 p.p., respetivamente. Os Açores representaram 1,5% do número total de transações.
O Alentejo evidenciou um incremento de 0,5 p.p. da sua quota relativa no valor das transações, para um total de 4,2%. A Madeira apresentou um aumento de 0,2 p.p. no seu peso relativo, representou 1,8% do valor total das transações, e a Região Autónoma dos Açores manteve a quota relativa de 1,1%, do ano anterior.