Pedro Nuno Santos: "Não há espaço para mais aviões na Portela no verão de 2023"

O ministro das Infraestruturas e da Habitação garantiu que o aeroporto de Lisboa está saturado. Sobre a futura localização do novo aeroporto pede que não se "fechem as portas à expansão".

Rute Simão
O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, participa no encerramento da Conferência “Novo aeroporto: tempo de decidir” no Museu do Oriente em Lisboa, 29 de novembro de 2022. TIAGO PETINGA/LUSA © LUSA

O aviso já vinha de trás e Pedro Nuno Santos tinha já alertado que no próximo verão o aeroporto Humberto Delgado poderia ter de recusar voos e hoje confirmou que a capacidade da Portela está esgotada para a próxima época alta. "É quase consensual que temos um aeroporto saturado. A grelha de slots para o verão de 2023 é assustadora; está tudo a vermelho, não há espaço para mais aviões na Portela", disse esta terça-feira durante o discurso de encerramento da conferência "Novo Aeroporto, Tempo de decidir", em Lisboa.

"Quando temos um aeroporto saturado qualquer atraso tem consequências no resto do dia. Apesar de haver ainda quem diga que o aeroporto tem espaço, é esmagador termos um problema que começou a tentar ser resolvido há mais de 50 anos", adiantou.

O ministro apelou a que, durante o próximo ano e na fase de discussão e análise das cinco alternativas em cima da mesa, sejam consideradas projeções realistas de crescimento e que opte por uma solução que possa ser ampliada face à procura. "Quando olhamos para a frente temos de ter respeito pelas gerações futuras. Não precisamos de fazer um aeroporto com quatro pistas amanhã mas era importante não fechar as portas à expansão. Não temos o direito a fechar portas e termos de nos reunir daqui a 10 ou 15 anos nesta sala", disse, acrescentando que é imperativo haver humildade "em relação as projeções". "Se o passado nos mostra alguma coisa é que errámos nas projeções explicando que as 'projeções mais otimistas' aquando da privatização da ANA foram ultrapassadas.

O governante salientou que Portugal é "uma porta de entrada e saída da Europa. "Não há a menor dúvida, podemos agarrar a oportunidade ou não. Queremos aeroportos que não são meros pontos de partida e de chegada. A aviação pode ser muito mais do que isso, com todas as dificuldades que vamos enfrentando", continuou descansando a importância da TAP e do hub que "são duas faces da mesma moeda".

"O hub dá centralidade, é um negócio além do turismo e é fundamental a Portugal. Não digo que temos o monopólio da ligação aérea ao Brasil mas não estamos longe. Centralidade dá negócio, dá dinheiro. Não estamos apenas a transportar passageiros alemães que queiram passar férias no Algarve, estamos a fazer mais do que isso. Só trazer passageiros dos Estados Unidos e do Brasil, estamos a exportar. O que o hub e a TAP nos permitem é exportar", reforçou.

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