Destruição de emprego empurra média salarial para os 1227 euros em março

Média continua a ser afetada pela perda de postos de trabalho com salários mais baixos. Sectores mais afetados registam maiores crescimentos.

Maria Caetano
( Pedro Granadeiro / Global Imagens ) © Pedro Granadeiro / Global Imagens

O salário médio bruto em Portugal, incluindo subsídios e todas as componentes, subiu em março aos 1 227 euros, num crescimento homólogo de 3,1%, e numa tendência que continua a ser influenciada pela destruição de emprego entre os salários mais baixos do país.

Segundo dados do INE publicados nesta quinta-feira, que têm por base as declarações de remunerações de beneficiários da Segurança Social e subscritores da Caixa Geral de Aposentações, o número de salários pagos no país diminuiu num ano 2,5%, com o alojamento e restauração e as atividades administrativas e serviços de apoio a serem os mais penalizados. Foi também entre estes sectores que mais cresceu a média salarial. Os dados têm conta as retribuições a 4 074,1 mil trabalhadores.

O aumento da média salarial em 3,1% no primeiro trimestre deste ano representa porém um abrandamento face aos dados de dezembro, altura em que o salário médio bruto, com todas as suas componentes, subia 3,9%, assinala o INE.

Já a média salarial bruta que exclui subsídios de férias e de Natal estava em março nos 1 106 euros, crescendo 3,6% por comparação com um ano antes. A média de salário-base crescia 3,8% para 1 041 euros.

Na análise da evolução salarial nos diferentes sectores de atividade económica, o INE destaca o efeito estatístico de crescimento da média de remunerações nos sectores mais afetados pela perda de emprego, e assinala que, em conjunto, turismo e serviços onde se incluem limpezas ou agências de viagens pagavam em março menos 12,8% em salários.

"Os maiores aumentos da remuneração regular foram observados nas atividades administrativas e dos serviços de apoio (6,3%) e nas atividades de alojamento, restauração e similares (5,6%). O crescimento significativo desta remuneração, nesta última atividade, esteve em larga medida associado à alteração da estrutura salarial em consequência da redução em perto de um quinto (19,8%) do número de trabalhadores, que se terá verificado sobretudo entre os que tinham remunerações mais baixas. Efetivamente, o volume das remunerações pagas diminuiu nesta atividade 12,8% face ao mesmo período de 2020", refere.

 © Fonte: INE

Os dados apontam que, num ano, o número de salários pagos pelo alojamento e pela restauração caiu 17,5%, para apenas 251 mil. No mesmo período, a média salarial bruta total avançou 3,5%, para os 815 euros, e a regular (sem subsídios) aumentou 5,6%, para 745 euros.

No segundo sector com a perda de emprego mais expressiva, as atividades administrativas e serviços de apoio, havia em março menos 6,9% de salários pagos, para apenas 297,3 mil. A média salarial total cresceu 5% para 860 euros, e o salário médio sem subsídios avançou 6,3%, atingindo 724 euros brutos.

Ambos os sectores com maior perda de emprego são também aqueles que registam médias salariais mais baixas, com exceção da agricultura, onde a remuneração média com subsídios de Natal e verão era em março de 769 euros, crescendo 2,6% em termos homólogos, e a média salarial bruta regular ficava em 692 euros, mais 2,5% que um ano antes. Neste sector, o emprego recuou 1,5%.

Nas atividades que mais empregam em Portugal, a indústria e o comércio, a tendência é semelhante, com recuos no emprego acompanhados de uma evolução mais positiva da média salarial.

Na indústria, o emprego caía em março 3,8%, para 663,6 mil trabalhadores, com a média salarial total a avançar 3,5% para os 1 115 euros. No comércio, pagavam-se já apenas 640 mil salários, menos 2,6% que um ano antes, e a média salarial total bruta crescia 1,4% para 1 086 euros.

Apesar de tudo, houve uma exceção no comportamento salarial dos diferentes sectores da economia: a função pública. Houve mais gente empregada, 3,2%, mas, à partida, entre os salários mais baixos. Isto porque o efeito do aumento de emprego fez recuar a média salarial bruta total (menos 0,4%), regular (menos 0,7%) e base (menos 0,1%), para 1 452 euros, 1 451 euros e 1 281 euros, respetivamente.

O sector dos transportes e armazenagem, ao contrário, perdeu emprego, em 4,6%, mas assistiu na mesma a uma redução de 0,2% na média salarial que inclui subsídios, cujo comportamento é mais sazonal, e que ficou em 1 507 euros. Já a média salarial regular avançou 1,2%, para 1294 euros.

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