Transporte aéreo

ANA: Aeroporto de Lisboa está “esgotado” mas não em “colapso”

Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

O aeroporto de Lisboa não está em “colapso” defende o administrador da ANA. Este ano, a infraestrutura deve receber 29 milhões de passageiros.

O aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, não está em colapso, embora o administrador e diretor da área comercial (Chief Commercial Officer na sigla em inglês) da gestora aeroportuária ANA, Francisco Pita, reconheça que está no limite da sua capacidade. “Não temos um aeroporto em colapso; temos um aeroporto esgotado mas não em colapso. Estamos a colocar no mercado a oferta que temos e estamos perto da oferta máxima”, disse o responsável durante a sua intervenção no Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT), que este ano decorre na cidade açoriana de Ponta Delgada. “Estamos a operar dentro da capacidade que temos, não estamos a operar acima da capacidade sobre a qual podemos operar”, garantiu.

O momento que a infraestrutura aeroportuária na capital atravessa – e que gera constrangimentos para a atividade turística nacional – não foi antecipada uma vez que as estimativas feitas há uma década não indicavam “níveis e o ritmo de crescimento que tivemos nos últimos cinco anos. Ninguém apontava para este nível de crescimento. E isto não quer dizer que as previsões estivessem erradas”.

“O que aconteceu ultrapassou tudo o que podia ser previsto. O resultado foi este. Chegamos a 2018 com mais 10 milhões de passageiros. Vamos fechar este ano com 29 milhões de passageiros. Isto são mais dez milhões de passageiros do que apontavam as previsões feitas há 10 anos”. Para se ter uma ideia, recordou, dez milhões de passageiros é o tráfego anual do aeroporto do Porto. “Se o tráfego tivesse crescido ao ritmo que estava previsto no contrato de concessão, teríamos [tido] nove anos para poder estar a estudar uma solução”.

A solução em cima da mesa passa pela construção de um segundo aeroporto no Montijo, que acabe por ser complementar à infraestrutura que está em Lisboa. Mas o gestor da ANA recusou que a Vinci – dona da ANA – defenda “só” o Montijo.

“Defendemos a criação de um hub na Portela e um aeroporto no Montijo complementar. O que defendemos é uma solução dual para a região de Lisboa em contraponto com uma solução de um único aeroporto. Defendemos isto por um conjunto de motivos. A solução do Montijo como aeroporto complementar não é nova. É uma solução que já tinha sido várias vezes estudada. O Montijo há muito que está identificado como sendo uma das soluções mais viáveis para a expansão da capacidade aeroportuária”.

O Montijo “é o único aeroporto na região de Lisboa que tem uma pista paralela à da Portela e a uma distância que permite a independência das duas pistas” sustentou Francisco Pita. “O que está previsto é na Portela passar – com as alterações que queremos fazer – a ter 48 movimentos por hora e adicionar no Montijo 24 movimentos ficando 72 movimentos por hora”.

Em relação ao Estudo de Impacte Ambiental, necessário para que possa ser dada luz verde a esta solução complementar, o responsável garante que ainda não há uma decisão final, devendo a ANA entregar até ao final de 2018 as informações adicionais pedidas pela Agência Portuguesa do Ambiente. Ainda assim, e apesar de estar dependente de um parecer positivo deste estudo, Francisco Pita defende que a empresa acredita que a escolha do Montijo não é incompatível com a construção do aeroporto “desde que sejam tomadas as medidas necessárias para gerir e mitigar os impactes ambientais”.

Taxas aeroportuárias muito elevadas?

Questionado se as taxas aeroportuárias estavam muito elevadas, o gestor recusou essa ideia, salientando que os valores praticados estão de acordo com o previsto no contrato de concessão assinado com o Estado português em 2012. “Não é verdade que as taxas tenham subido demasiado muito menos para valores exorbitantes. O que estamos a fazer está alinhado pelo contrato de concessão que temos com o Estado. Os aumentos foram em linha com esse contrato e concessão e foram moderados”, disse.

“O que fazemos quando mexemos em taxas aeroportuária é olhar para os nossos concorrentes. Preciso de perceber como é que comparo com os concorrentes. A ANA tem um interesse alinhado com o setor: queremos crescer o tráfego. Somos os primeiros interessados em ter taxas competitivas com os nossos concorrentes”.

Francisco Pita notou ainda que desde 2013 que a Vinci tem “investido bastante na rede” de aeroportos nacionais, atingindo a fatura 225 milhões de euros. “Mais de metade desse investimento foi em Lisboa”.

*Jornalista viajou a convite da APAVT

(Notícia corrigida às 18h44. Francisco Pita é Chief Commercial Officer da ANA e não Chief Operational Officer)

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