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ANA espera crescimento na Portela, mas setor quer mais investimentos

Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. (Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens)
Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. (Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens)

A companhia easyJet pede a ampliação do terminal 1 e pelo fecho da pista 17/35, para permitir mais estacionamento de aviões.

Apesar dos problemas de congestionamento do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, decorrentes do aumento do número de passageiros, a ANA – Aeroportos de Portugal não descarta novos recordes em 2019. “Ainda é possível que venhamos a ter crescimento no próximo ano, fruto de alguns investimentos feitos e da otimização de processos, se bem que a um ritmo mais moderado, mas o suficiente para voltarmos a atingir novos recordes de tráfego”, disse ao Dinheiro Vivo fonte oficial da concessionária.

Para a gestora aeroportuária, o facto de a Portela estar cada vez mais próxima da sua capacidade máxima poderá ajudar à atividade dos restantes aeroportos nacionais. “Embora os crescimentos neste aeroporto possam ser marginais, as previsões para o total da rede de aeroportos portugueses é de crescimento contínuo”, refere a ANA.

Mas enquanto as soluções não chegam, o diretor da easyJet para Portugal volta a deixar insistentes apelos e lamenta a morosidade no desenrolar dos processos. É o caso do encerramento da pista 17/35 – parte do acordo entre o Governo e a ANA para desenvolver a nova infraestrutura no Montijo – e a construção de uma nova torre de controlo. “É imperativo avançar com mais saídas rápidas e stands, a extensão do taxiway e a ampliação do terminal 1 com posições para embarque e desembarque a pé”, explica José Lopes.

“Este crescimento muito rápido tem ocasionado a recusa de slots a algumas companhias e o país não se pode dar a esse luxo”, realça Bernardo Trindade, administrador do grupo hoteleiro PortoBay, que acumula o cargo de administrador não executivo da TAP.

Contas feitas, o presidente da Turismo Centro de Portugal (TCP) refere que, só até novembro, o aeroporto de Lisboa recebeu mais passageiros do que em todo o ano de 2017. Pedro Machado considera que “o esgotamento do aeroporto é a maior ameaça ao crescimento do turismo em Portugal” e diz ainda que “é arrojado” pensar-se em aumentar o tráfego no próximo ano.

Vítor Costa, presidente da Associação Turismo de Lisboa, admite um período de estagnação no Turismo e deixa vários recados: “Foram feitos investimentos na hotelaria, no alojamento local, na reabilitação urbana, na instalação de empresas e no imobiliário, perspetivando que teríamos infraestruturas aeroportuárias adequadas a curto prazo” e o retorno pode estar em causa. A mesma visão é partilhada por Raúl Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, para quem é necessário que o Estado crie “incentivos para incrementar as ligações aéreas noutros aeroportos nacionais para melhor distribuir os fluxos turísticos por todo o país”.

O presidente da Região de Turismo do Algarve, João Fernandes, vai ainda mais longe: “É fundamental que o aeroporto de Lisboa funcione como hub do principal destino turístico nacional – o Algarve e é necessário reforçar ligações entre o aeroporto de Lisboa e Faro”, ressalva.

Para o setor hoteleiro, 2019 não faz adivinhar grandes conquistas. Os empresários prevêem vir a ter a casa menos cheia e temem o impacto nas contas dos hotéis. “O turismo em Portugal, nomeadamente em Lisboa, está fortemente dependente do transporte aéreo pelo que enquanto não resolverem este problema a tendência será a da estagnação da procura”, afirma Francisco Moser, diretor geral da Discovery Hotel Managment, marca do fundo imobiliário Discovery.

“Ou não acreditámos neste crescimento sustentado do turismo ou não soubemos ler esse mesmo crescimento”, completa António Gonçalves, administrador dos Hotéis Real.

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