Analistas apontam que BCE deve esperar por dezembro para anunciar novas medidas

O Banco Central Europeu (BCE) não deverá alterar a sua política monetária, na reunião de quinta-feira, esperando para ver os efeitos da nova vaga de covid-19 e dos novos confinamentos na economia da zona euro.

A maior parte dos analistas considera que o BCE deverá esperar por dezembro para aumentar os estímulos monetários e segundo algumas previsões pode mesmo aguardar até março de 2021 para ampliar o volume de compra de dívida, uma medida destinada a atenuar a crise económica causada pela pandemia.

Para o economista chefe do Commerzbank, Jorg Kramer, "o BCE não está sob pressão para aumentar o volume do programa de compras de emergência pela segunda vez".

O programa tem uma dotação de 1,350 biliões de euros e, segundo o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, tem ainda disponível mais de metade desse volume.

"Ainda não gastámos todas as munições. O programa foi alargado pelo menos até meados de 2021 e, caso seja necessário, podemos ajustá-lo e recalibrá-lo no futuro", disse Guindos numa entrevista ao Market News International.

Inicialmente o programa, lançado em março, previa a compra de 750 mil milhões de euros de dívida até ao final deste ano. Em junho, o seu volume foi aumentado em 600 mil milhões de euros e a duração foi alargada pelo menos até ao final de junho de 2021.

Estas compras de dívida contribuem para baixar as taxas de juro e facilitam as condições de financiamento de governos, empresas e famílias.

Os analistas da financeira Nomura antecipam que o BCE deve deixar a sua política monetária sem alterações, esperando que o próximo movimento ocorra só em março de 2021, podendo então ocorrer uma dotação adicional de 400 mil milhões de euros no referido programa de compra de ativos.

O economista-chefe da Axa IM, Gilles Moëc, considera que é "provável que o BCE prefira esperar por dezembro" para alterar as medidas que tem adotado nos últimos meses.

Mas Moëc adverte também que o mercado "ficará dececionado se, na quinta-feira, não receber um indício claro de mais ação em dezembro", quando haverá "mais visibilidade sobre os riscos externos", incluindo os resultados das presidenciais norte-americanas ou uma resolução sobre se a saída britânica da União Europeia ('Brexit') será com ou sem acordo.

Na mesma linha, Franck Dixmier, da Allianz Global Investors, antecipa que "o BCE não precisa fazer nenhum anúncio de política na reunião de outubro, mas deve enfatizar a sua disposição para fazer futuras intervenções em face de uma deterioração nas perspetivas macroeconómicas".

"Na reunião de dezembro, o BCE deverá atualizar as suas projeções macroeconómicas. Esperamos que sejam pessimistas, portanto, pode ser um bom momento para anunciar novas medidas de apoio", acrescenta, apontando também que em dezembro, "o banco central vai ter mais perspetiva sobre os riscos políticos que surgiram nas últimas semanas -- como o 'Brexit' e as eleições nos Estados Unidos -- bem como sobre a evolução da pandemia".

Esta reunião de política monetária do BCE será a oitava liderada por Christine Lagarde, que completa um ano à frente do BCE no próximo dia 1 de novembro.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de