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Ângelo Ramalho: “No final do ano vamos abrir uma unidade de automação”

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A Efacec vai investir entre 15 e 16 milhões de euros em 2018.No final do ano inaugura uma nova unidade de automação de sistemas de energia

A Efacec está em mais de 65 países e tem 70 anos de atividade, é liderada por Ângelo Ramalho, que no próximo dia 23 terá de enfrentar uma greve de trabalhadores. A agitação laboral e a estratégia da empresa dão o mote à conversa.

Neste processo de renascimento como é que tem corrido a relação com a acionista maioritária, o Winterfel, com 66%, que é de Isabel dos Santos?

Normalmente não faço comentários pelos meus acionistas, que mais não seja porque são eles que me escolhem e não eu a eles. O que digo é que temos um suporte claro dos acionistas e é evidente esse suporte e ainda bem recentemente durante a inauguração da fábrica nova da mobilidade elétrica isso ficou patente. Isso dá-nos conforto mas também demonstra o nível de exigência e ambição que temos.

Definiu como objetivo triplicar o peso da mobilidade elétrica na atividade das Efacec, antevendo um crescimento de 2 a 3 dígitos ao ano, para chegar perto dos 100 milhões em três anos. Acha que este objetivo está ao alcance?

Acho, não posso ter dúvidas. É evidente que depois o caminho faz-se caminhando. Todos os dias temos de corrigir aspetos menos positivos desse caminho. A mobilidade elétrica é um sentido incontornável da mobilidade. Ela é potenciadas por várias razões, desde logo porque há uma mudança de paradigma no setor na energia, hoje produz-se energia de fontes renováveis a preços tão competitivos que era inimaginável imaginar isto há 10 anos… do lado dos veículos a evolução tecnológica forte que tem existido e tem permitido que as baterias na sua densidade energética e o custo tenha baixado em catadupa, nas tecnologias do veículo tem havido desenvolvimentos imensos, os veículos hoje têm imensos gadgets que levam à possibilidade de termos veículos de condução autónoma disponíveis. A mobilidade elétrica precisa de ser resolvida do ponto de vista da infraestrutura porque s e não a tivermos com certeza que não se vai longe.

A tecnologia está a andar mais depressa que os governos e a política?

Normalmente é assim.

O que é que seria importante resolver já para que a mobilidade avançasse mais rápido?

A mobilidade elétrica está a avançar muito rápido…

Do ponto de vista tecnológico mas todos os utilizadores se queixam das infraestruturas, da falta de carregadores, da capacidade das baterias…

Sim, sim, mas está a andar rápido. Do ponto de vista expectativa dos clientes é uma coisa da visão do sistemas e de ver como é que se está a desenvolver não é a mesma coisa. Obviamente que as expectativas dos clientes têm de ser satisfeitas mas do ponto de vista de mercado, o processo da mobilidade elétrica se está a afirmar. Em 2016 atingiu-se o valor global de dois milhões de veículos puramente elétricos os híbridos plug-in e este crescimento não para. Pensem num número simples: o mercado automóvel mundial valerá em 2019 cerca de 100 milhões de veículos ao ano. Mesmo que uma pequena muito pequena seja de veículos elétricos ou híbridos plug-in e que vão acumulando ano após ano, este mercado vai-nos permitir chegar a 2025 com 10, 15, 20 milhões de veículos e será essa base instalada expectável.

A Efacec está muito centrada no negócio da mobilidade elétrica. Qual é o plano de negócios para esta área no que toca a vendas, rentabilidade, no que toca a ganhar concursos internacionais (consta que ganharam nos EUA mas perderam muitos outros). Qual é a estratégia nesta área?

Sim, sim. Deixe-me dizer que somos líderes na mobilidade no mercado do carregamento rápido e ultrarrápido. Sermos líderes não quer dizer que estejamos sozinhos e portanto ganhamos e perdemos e a vocação é mantermos essa liderança e temos bons atributos para o podermos fazer. E são: temos a melhor tecnologia do mundo a capacidade de convertê-la em produtos e produzi-los na nossa unidade da Maia – foi inaugurada este ano e vai permitir triplicar a nossa capacidade só num turno. O que queremos é tão simples quanto isto: dobrarmos todos os anos o nosso volume de faturação com níveis de rentabilidade e sustentabilidade inerentes. Esta vontade de dobrarmos todos os anos a nossa presença no mercado é uma vontade manifesta, tem riscos mas é para os resolver que estamos cá.

Como é que definiria o mercado português neste momento no que diz respeito à mobilidade elétrica? Estamos atrasados ou estamos no ponto de rebuçado?

O mercado português foi pioneiro e isso permitiu a uma empresa portuguesa ser pioneira no desenvolvimento de tecnologia – e essa empresa foi a Efacec. Haverá quem possa dizer, e não deixa de ser verdade, que talvez tivéssemos começado um bocadinho antes de tempo, talvez tivéssemos colocado as expectativas para além do que seria razoável nos anos de 2008/2009, talvez deixado um sistema com condições de operação deficitárias que resulta depois em utilizadores queixosos porque os equipamentos não estão disponíveis ou avariados. Também sabemos que de há dois anos para cá este governo tem voltado a re-impulsionar todo o crescimento da rede, agora com equipamentos mais modernos e sofisticados e também novos operadores de sistema que estão a aparecer para além do MOBI.E.

Em que é o governo pode ajudar mais?

O governo o que pode é facilitar, depois o mercado tem de funcionar e o governo facilita criando um ambiente regulatório propício, favorável e do ponto de vista dos operadores de mercado é entenderem esses regulamento e aproveitarem das oportunidades que acontecem todos os dias. Do ponto de vista dos fabricantes de automóveis, a panóplia de modelos vai crescendo, a competitividade vai crescendo a nível de custo, do ponto de vista dos operadores de sistema, as máquinas que abastecem esses veículos permitem soluções mais convenientes, tempos de abastecimento mais curtos. Certamente não vamos acabar com todos os combustíveis fósseis que são hoje utilizados – e serão nas próximas décadas – mas é um processo de mudança e as mudanças têm sempre processos de ajuste, às vezes até dolorosos.

Para além da fábrica de supercarregadores há outros investimentos em carteira por parte da Efacec que avancem em breve?

Deixe-me reforçar a ideia de que o primeiro investimento é em pessoas e no desenvolvimento das pessoas. Dito isto, todos os anos investimos 13 a 15 milhões de euros em investigação e desenvolvimento. Não há muitas empresas que invistam em valor absoluto 15 milhões de euros nestas áreas e não o fazemos por outra razão que não absoluta necessidade. E se não fizermos isto não conseguimos crescer nas cadeias de valor, não seríamos competitivos e portanto desapareceríamos. Vamos continuar a investir este valor. No ano passado investimos 15 milhões de euros em melhoria das nossas infraestruturas; em 2018 iremos voltar a investir esta ordem de grandeza e em anos subsequentes será também assim. Abrimos no início deste ano a nova unidade de mobilidade elétrica e no final do ano abriremos outra também. Agora nas áreas da automação de sistemas de energia, também uma unidade moderna com todas valências…

De que investimento estamos a falar?

Alguns milhões de euros, não vou precisar. No final do ano temos previsto no global de investimentos na ordem dos 15, 16 milhões, certamente que não é todo para esta nova unidade.

Quantos empregos representa esta área?

Estamos a falar de um processo em que todos os anos vamos crescer. 700 pessoas entre 2018 e 2020, hoje já estamos a crescer – ao mês passado tínhamos crescido 100 efetivos na empresa e nesta área estamos a falar de cerca de 350 pessoas de quadros altamente qualificados. Esta é uma das áreas de nível mais elevado de conhecimento, que é a área do digital.

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