Comércio

Angola e China arrastam exportações portuguesas. Alemanha e Itália ainda não

O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Exportações totais travam a fundo. Há um ano, no final do primeiro semestre de 2018, faturação cresceu mais de 7%. Hoje, é metade disso.

O crescimento da economia portuguesa está a resistir ao forte abrandamento da economia europeia e parte da explicação pode estar no facto de as exportações, embora em desaceleração, estarem a aguentar o embate, sobretudo nos mercados europeus que acusam maiores dificuldades.

Alemanha e Itália estão estagnadas, praticamente à beira da recessão, mas isso não impediu que Portugal ainda tenha conseguido faturar mais 6,4% e 21,3%, respetivamente, nestes dois países. Estamos a falar de 16% das vendas totais nacionais para fora.

O mercado alemão é há muito tempo o terceiro maior cliente das vendas portuguesas para o estrangeiro, absorvendo mais de 11% das exportações portuguesas. No entanto, nesta semana que passou, os alarmes dispararam naquela que é maior economia da zona euro. É um aviso sério para Portugal.

Depois de várias instituições terem feito diagnósticos bastante negativos quanto ao futuro próximo do desempenho da Alemanha (que, como grande exportador mundial, está a sofrer o embate da escalada nas guerras comerciais espoletadas pelos EUA), veio o banco central do país (Bundesbank) confirmar que a situação pode ser mesmo grave.

É altamente provável que a recessão se concretize (dois trimestres consecutivos de contração trimestral do produto interno bruto ou PIB) já no terceiro trimestre deste ano. Jens Weidmann, o presidente do Bundesbank, referiu que “as fraquezas da economia estão concentradas na indústria e nas exportações”.

“As disputas comerciais internacionais e o brexit são razões importantes” para explicar este novo cenário. A Alemanha está confrontar-se com “um declínio acentuado” das suas exportações e os empresários estarão já a retrair-se no investimento (em novas máquinas e equipamentos), observaram os economistas do banco central.

O Bundesbank alerta que o perigo de recessão é real e, ato contínuo, cortou a previsão de crescimento deste ano para uns meros 0,3%. Se este número se concretizar será o pior ano da economia alemã dos últimos dez anos. É preciso recuar à grande recessão de 2009 para encontrar um desempenho pior (-5,6%).

Com Itália passa-se algo parecido. É outro dos países europeus a inspirar cuidados em termos de crescimento, projetando-se atualmente uma expansão de apenas 0,1%. Uma virtual estagnação e o pior desempenho económico desde 2013, altura em que a atividade da terceira maior economia do euro caiu 1,7%.

A economia portuguesa é das poucas que está a conseguir resistir ao forte abrandamento da economia europeia, espaço que concentra cerca de 80% dos seus mercados de exportação, por exemplo. Dos países apurados pelo Eurostat, Portugal, Dinamarca, França, Lituânia e Finlândia foram os únicos que conseguiram manter ou reforçar as suas taxas de crescimento no segundo trimestre.

Portanto, as exportações portuguesas para Alemanha e Itália continuam a apresentar um ritmo razoável, apesar da anemia galopante nestes países. Mas o mesmo já não acontece noutros mercados de referência.

As vendas a Espanha, que é só o maior cliente de Portugal, estão praticamente estagnadas, avançaram apenas 0,4% no primeiro semestre deste ano, segundo cálculos do Dinheiro Vivo com base em dados do INE comunicados ao Banco de Portugal. É o pior desempenho de primeiro semestre desde a grave crise de 2012.

Também na primeira metade deste ano, é possível confirmar que as exportações para o problemático Reino Unido já estão a cair (-0,9%); as vendas para Angola afundaram mais de 18%; o mercado brasileiro emagreceu mais de 12%; e o chinês sofreu uma contração de quase 4%.

Tudo somado, tem-se que as vendas de mercadorias estavam crescer uns meros 2,9% no final do primeiro semestre, pior registo dos últimos três anos.

As exportações de serviços pesam menos no total, mas continua a ser mais dinâmicas, até por causa do segmento “viagens e turismo”. Mesmo assim, esta parte da balança comercial está em franca desaceleração. Estava a crescer 5,2% na primeira metade de 2019, o ritmo mais fraco desde meados de 2016.

O andamento do valor exportado em viagens e turismo está a ficar mais moderado, mais ainda cresce a dois dígitos. Segundo o banco central, a respetiva faturação aumentou mais de 11% no primeiro semestre deste ano (menos de metade dos 25% registados no primeiro trimestre).

Tudo isto faz com que as exportações totais portuguesas (bens e serviços) estejam a travar a fundo. Há um ano, no final do primeiro semestre de 2018, a faturação de todos os exportadores nacionais estava a crescer mais de 7%. Hoje, é metade disso (3,6%, segundo contas com base nos números fornecidos pelo Banco de Portugal).

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