Coronavírus

ANJE teme que 2021 traga “grande vaga” de falências e desemprego

Alexandre Meireles, presidente da ANJE. Fotografia:  Igor Martins / Global Imagens
Alexandre Meireles, presidente da ANJE. Fotografia: Igor Martins / Global Imagens

Jovens empresários apelam à agilização dos processos para aceder às verbas do fundo de recuperação, sob pena de “não se conseguir executar o programa"

O Governo tem tomado “boas medidas” para ajudar as empresas a ultrapassar os efeitos da pandemia da covid-19, mas o problema está na sua execução, defende o presidente da Associação Nacional dos Jovens Empresários. Alexandre Meireles diz que o dinheiro “demorou muito tempo a chegar às empresas” e assume o seu receio de que se venham a desbaratar os fundos comunitários aprovados para a retoma por culpa da burocracia do Estado. E que 2021 traga “a grande vaga do desemprego e das falências”.

“Estrategicamente, o Governo tem pensado bem e as medidas tomadas têm sido boas. O problema está na burocracia”, defende, argumentando que deveria ser criado um gabinete de crise para a desburocratização da Administração Pública. “Sentimos que a falta de meios financeiros e humanos nas estruturas intermédias do Estado, aquelas que têm um papel decisivo na aprovação e acompanhamento dos projetos, é um dos grandes problemas do Estado”, diz.

Portugal vai receber 15,3 mil milhões de euros do fundo de recuperação recentemente acordado no Conselho Europeu e o presidente da ANJE quer que o país “escolha bem” onde os vai investir, mas quer também que sejam “agilizados os processos”. “Não podemos voltar a entrar nesse ciclo vicioso” de acumulação de candidaturas, à espera de decisão, que leva a que as taxas de execução dos fundos comunitários estejam abaixo do que poderiam ser. No limite, diz, “temos receio que não se consiga executar todo o programa e que tenhamos de devolver dinheiro”.

A ANJE conta com cerca de cinco mil associados e este responsável admite que há empresas a passar por muitas dificuldades. O atraso no pagamento de quotas é um dos sinais, o outro são os pedidos de informação que todos os dias chegam ao Gabinete de Crise Covid-19 criado na associação. “Apesar de resilientes, as empresas estão a passar muitas dificuldades. A nossa preocupação é quando deixarem de existir os apoios e as moratórias. Temos muito receio que, com 2021, venha a grande vaga do desemprego e das falências”, admite.

Alexandre Meireles falou ao Dinheiro Vivo à margem do arranque do roteiro ‘ANJE – Road to Growth’, um roadshow dos jovens empresários pelo país, ao longo dos próximos oito meses, para recolher propostas dos empresários tendo em vista a retoma económica. O roteiro arrancou no Algarve e segue na Évora, em setembro, mas irá passar, ainda, por Braga, Vila Real, Coimbra, Covilhã e Guarda. Haverá, ainda, sessões no Funchal e na Terceira.

“Queremos perceber, in loco, de forma deslocalizada e descentralizada dos grandes centros urbanos, o que é que preocupa os empresários e apresentar às associações e entidades locais os projetos que temos para executar lá”, explica. No fim do roadshow, que andará na estrada até fevereiro de 2021, será produzido um “documento síntese com as propostas para fomentar o crescimento económico e as linhas orientadoras para implementar o próximo quadro comunitário de apoio 2020/2030”.

No Algarve, onde reuniu com entidades locais como a ACRAL – Associação do comércio e Serviços da Região do Algarve, AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, AIHSA – Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve, CEAL – Confederação dos Empresários do Algarve ou a NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve, as propostas passam pela necessidade de capitalizar as empresas, de modo a “garantir a sobrevivência de negócios viáveis”, pelo que a ANJE propõe um benefício fiscal direto – 20% de redução no IRS durante cinco anos e até ao limite máximo de três vezes o valor capitalizado – para os investidores que apliquem capital nas empresas ao longo de 2020. Defende, ainda, a criação de uma linha de financiamento às empresas gerida pela AICEP, criada a partir de “um fundo de capital de risco ou um outro mecanismo financeiro alternativo ao crédito bancário”.

Para estimular o investimento, os jovens empresários pedem a reformulação do programa Vistos Gold. A ideia, defendem, é tornar o programa “mais atrativo” no atual contexto de estagnação económica, reduzindo para 250 mil euros (em vez dos 500 mil atuais) o montante de aquisição de imobiliário ou de investimento em ações ou outros títulos e incluindo a possibilidade de obtenção de passaporte nacional ao fim de cinco anos.

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