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Antes das malas roubadas, seguro à porta do alojamento local

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Oferta de seguros adaptados ao perfil do alojamento temporário de turistas está a começar a ganhar forma. Mas a lei não obriga ninguém a ter um.

À boleia da expansão do alojamento local está a surgir uma nova oferta de seguros direcionada para esta atividade. Coberturas para os vários tipos de incidentes possíveis não faltam: desde danos na casa, retirada estratégica sem pagamento, danos patrimoniais ou pessoais causados a clientes. Mas a subscrição deste tipo de seguros funciona como uma forma de prevenção. A lei não obriga a fazê-los.

Esqueça a inundação, o cenário de incêndio ou a imagem do hóspede a escorregar no banho e a partir uma perna. Os acidentes com turistas que arriscam fazer o dono do alojamento local entrar em despesas podem chegar de forma menos convencional: o roubo de bens pessoais do cliente, por exemplo. E, como refere Mónica Dias, economista da Deco Proteste, independentemente da culpa ser ou não atribuível a quem explora o alojamento local (AL), será sobre ele que vai recair a despesa.

“Independentemente da culpa, quem explora o AL é responsável pela reparação dos danos”, diz a economista da Deco, lembrando que este tipo de seguros de responsabilidade civil não é obrigatório, mas que “faz sentido a criação” de produtos específicos para o AL.

Atenta à lacuna na oferta, a Zurich lançou uma solução direcionada para o alojamento local. Paulo Aranha, responsável por produtos não-vida da seguradora, disse ao Dinheiro Vivo que a apólice foi desenvolvida para abranger as vertentes de multirriscos (protegendo desta forma os proprietários face a danos no imóvel) e de responsabilidade civil (que abrange eventuais danos pessoais ou patrimoniais sobre o cliente).

O Zurich Alojamento Local permite ao cliente escolher entre três opções, desenhadas à medida. Ou seja, está adaptado a todas as tipologias de imóvel e a quem explora a atividade em full-time ou em part-time. O preço varia em função do que se pretende segurar, e às 46 coberturas base disponíveis podem somar até 12 complementares. Num imóvel avaliado em 150 mil euros, no AL em part-time, o custo do seguro poderá rondar 255 euros por ano. O valor sobe para os 420 euros se a casa valer 250 mil euros e estiver permanentemente afeta a esta atividade.

A estreia recente faz que não haja ainda informação sobre a recetividade. Paulo Aranha salienta que a Zurich pretende surgir como first mover neste novo produto e está focada nos mais de 45 mil registos de AL em todo o país.

Ainda que existam ofertas de ouras seguradoras no mercado, dados não há. Ao Dinheiro Vivo, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) refere isso mesmo: “Sendo um regime recente, e tratando-se de seguros facultativos, a APS não tem informação adicional que possa disponibilizar sobre estes seguros.”

O que diz a lei: “(…) o titular da exploração do alojamento local responde, independentemente da existência de culpa, pelos danos causados aos destinatários dos serviços ou a terceiros, decorrentes da atividade de prestação de serviços de alojamento”. Mas é necessário estar atento aos profissionais em simular danos para receber a indemnização.

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