Economia

António Costa: A economia a crescer “não torna tudo possível”

MIGUEL A. LOPES/LUSA
MIGUEL A. LOPES/LUSA

O primeiro-ministro falava no debate quinzena, reafirmando a necessidade de "continuar a andar com o passo seguro" na economia.

O primeiro-ministro, António Costa, declarou esta terça-feira, no debate quinzenal na Assembleia da República, que não se pode ter a “ilusão de que a economia a crescer torna tudo possível”, salientando ser necessário “continuar a andar com o passo seguro”.

“Não podemos ter esta ilusão de que a economia a crescer torna tudo possível para todos e já. E, é por isso que temos de continuar a andar com o passo seguro que temos feito”, disse António Costa, em resposta à coordenadora nacional do BE, Catarina Martins.

O primeiro-ministro considerou ser “verdade que a economia está a crescer, e está a crescer graças à inversão de política” que o Governo levou a cabo desde 2015, e que “foi isso que permitiu relançar a economia em 2016, 2017 e 2018”.

“E, apesar de a economia estar a crescer há três anos, apesar de convergirmos pela primeira vez com a União Europeia, a verdade é que o nível do PIB [Produto Interno Bruto], a riqueza nacional, só agora atingiu o nível de 2008”, ressalvou.

De qualquer forma, acrescentou o primeiro-ministro, o Governo está a “gastar mais” em saúde e educação, tendo também investido até agora “310 milhões de euros” nos transportes públicos.

Na sua intervenção, a deputada Catarina Martins lembrou que “permanecem estrangulamentos injustificáveis nos serviços públicos” e que “cabe ao Governo dar o passo essencial, ter a humildade de ouvir e a capacidade de dialogar, negociar em vez de empatar, resolver os problemas em vez de os adiar”.

A coordenadora nacional disse também ser convicção do partido que o “Governo não adia o problema por incompetência nem por desleixo”, mas fá-lo por “estar convicto de que é mais importante a corrida do défice com Bruxelas do que resolver os défices do país, e isso é um erro”.

“O problema é quando olhamos para os números do investimento e da despesa em serviços públicos essenciais, vemos que está abaixo em percentagem do PIB [Produto Interno Bruto] do que estava antes”, salientou a deputada do BE.

“O que quer dizer que não tem a ver com fazermos já tudo, tudo muito depressa ou de uma vez, [mas] se nós achamos que a educação, a saúde, os transportes precisam ou não dessa fatia da riqueza que produzimos, e cada vez gastamos menos naquilo que é essencial”, reforçou.

Alegando que “as tantas negociações de carreiras que não são negociação, são só adiar, que nunca mais chegam ao fim, são uma sombra nesta legislatura”, Catarina Martins quis saber também se o Governo tem “um calendário para ter resultados que se vejam em nome destes trabalhadores e dos serviços públicos que deles precisam”.

António Costa advogou ser necessário ter em conta o ponto de partida.

“O ponto de partida é que a direita nos tinha levado até ao fundo, e, portanto, nós estamos a vir da terceira subcave e chegámos agora ao nível da rua para podermos continuar e retomar uma trajetória de crescimento que foi interrompida com a crise internacional de 2008”, apontou.

Na opinião de Costa, “o problema não é o tratado orçamental”, mas sim “continuar a reduzir” a dívida, porque ao reduzir a dívida será possível “libertar recursos para fazer aquilo que faz falta”.

Lembrando que na segunda-feira foi liquidada a “última prestação ao FMI [Fundo Monetário Internacional]”, o governante referiu que “hoje os juros da dívida felizmente caíram para um nível inferir aos 2%”.

“E se esta tendência se mantiver iremos continuar a libertar recursos para podermos fazer mais e melhor investimento”, considerou.

O primeiro-ministro considerou também ser necessário “gerir os recursos” disponíveis, mas salientou que o Governo vai “concluir a legislatura repondo os 1.200 milhões de euros que a direita cortou no Serviço Nacional de Saúde” e que atualmente existem “mais nove mil profissionais de saúde”.

“E é na mesma base que temos vindo a negociar. E como sabe, aliás, por experiência própria, este Governo negoceia”, apontou, afirmando ser assim que tem “feito com a generalidade dos sindicatos” e que “ninguém deseja mais concluir este processo negocial do que o Governo”.

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