Lesados do BES

António Costa recebido em Gaia por protesto ruidoso dos lesados do BES

O secretário-geral do PS, António Costa (D), é abordado por um manifestante do grupo de lesados do BES/Novo Banco - Lesados Papel comercial e Lesados Emigrante, à chegada para um almoço de pré-campanha para as Eleições Europeias, no  Pavilhão Municipal Salvador Guedes, em Avintes, 14 de abril de 2019. JOSÉ COELHO/LUSA
O secretário-geral do PS, António Costa (D), é abordado por um manifestante do grupo de lesados do BES/Novo Banco - Lesados Papel comercial e Lesados Emigrante, à chegada para um almoço de pré-campanha para as Eleições Europeias, no Pavilhão Municipal Salvador Guedes, em Avintes, 14 de abril de 2019. JOSÉ COELHO/LUSA

Grupo que confrontou primeiro-ministro não terá aceitado proposta de pagamento de indemnizações por perdas com papel comercial do BES.

O primeiro-ministro, António Costa, foi recebido este domingo em Vila Nova de Gaia por um grupo de lesados do BES/Novo Banco que, ao som de apitos e bombos e junto a bandeiras negras, gritava “devolvam o nosso dinheiro”.

“Ganharam todos. Só os lesados é que foram vigarizados” ou “Vergonha, não há justiça” são algumas das frases das faixas e cartazes colocados ao longo da rua de frente para o pavilhão municipal de Avintes, Gaia, onde o secretário-geral do PS, António Costa, e do cabeça de lista às eleições europeias, Pedro Marques, vão almoçar com centenas de militantes socialistas numa ação de pré-campanha eleitoral.

O programa previa que António Costa chegasse às 12:30, tendo o primeiro-ministro chegado cerca das 13:30, acompanhado por Pedro Marques e pelo presidente da Câmara de Gaia, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues.

À saída do carro, Costa ainda chegou a ser puxado por um dos representantes do grupo de lesados do BES/Novo Banco, mas com a intervenção da segurança acabou por entrar no recinto debaixo de um coro de gritos, som de apitos e megafones.

A este ruído juntou-se o som de nove bombos do Grupo de Mareantes do Rio Douro, uma coletividade local que desfilou em frente aos lesados do BES/Novo Banco ao longo do final da manhã e depois ladeou a entrada do primeiro-ministro no recinto de Avintes.

Antes, o líder da Distrital PS/Porto, Manuel Pizarro, foi junto dos lesados do BES/Novo Banco para perceber as reivindicações do grupo e prometeu recebê-los na quinta-feira e, aos jornalistas, disse “perceber o desespero daquelas pessoas”, mas frisou que “neste momento estão em causa apenas 7% dos lesados porque não quiseram chegar a acordo”.

Ao início da manhã, em declarações à agência Lusa, António Silva, um dos lesados do BES/Novo Banco, contava que o grupo fez “pelo menos 40 manifestações” e, garantiu, “está pronto para só parar quando reaver o dinheiro” que considera ter sido “roubado”.

“Somos vítimas de uma burla. Existia uma provisão e as entidades prometiam segurança, mas já se passaram cinco anos e não temos o nosso dinheiro, o dinheiro de uma vida. Continuamos a zero”, disse António Silva.

Ao lado, Manuel Sousa, emigrante em França há 49 anos, contou que partiu para Paris “em criança para trabalhar muito” e agora volta a Portugal “sem nada”.

“Sou lesado, sou roubado. Fui para França porque meu país não me oferecia uma alternativa, mas nunca desisti da minha pátria onde quis sempre fazer o depósito das minhas poupanças, mas um dia dei com as minhas contas a zero. O Novo Banco é o culpado e o Governo tem de fazer alguma coisa”, referiu.

Solução para lesados

Em janeiro, o Governo aprovou uma garantia de 152,8 milhões de euros que vai permitir aos lesados do BES receber o montante que falta das indemnizações a que têm direito.

A primeira prestação das indemnizações foi paga aos lesados em junho do ano passado. Essa primeira parcela foi de 120 milhões de euros, o correspondente a 30% das indemnizações devidas aos lesados que aderiram à solução apresentada pelo Governo, que tem como objetivo compensar as perdas que os investidores tiveram com o papel comercial vendido pelo BES.

Em causa estão cerca de dois mil investidores, que em 2014 compraram mais de 430 milhões de euros em papel comercial emitido pela Espírito Santo Internacional e pela Rio Forte. A solução encontrada pelo Governo prevê que quem investiu até 500 mil euros recebe até 75% do valor, não podendo a indemnização ultrapassar os 250 mil euros. Quem investiu mais de 500 mil euros recebe até 50% do capital investido.

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