Antram quer greve desconvocada “imediatamente”

Para Matias de Almeida, a ação do MP coloca “uma sombra” na legalidade da constituição do SNMMP.

Tal como junto do sindicato, do lado dos patrões, a ação do Ministério Público suscitou surpresa. “Desconhecíamos completamente que o Ministério Público tivesse intentado qualquer tipo de ação a pedir a dissolução do sindicato. É uma matéria da justiça, alheia à Antram. Mas não podemos ficar alheios ao pedido em causa e, sobretudo aos argumentos que, a confirmar-se, têm algum impacto”, ressalvou o porta-voz da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), André Matias de Almeida, ao Dinheiro Vivo.

O representante dos patrões reagia assim à notícia da ação interposta pelo MP, que pede a dissolução do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) com base na “participação na assembleia constituinte de pelo menos uma pessoa que não é trabalhador por conta de outrem, no âmbito profissional indicado nos estatutos”.

Para Matias de Almeida, a ação do MP coloca “uma sombra” na legalidade da constituição do SNMMP. E por isso o Sindicato “deve imediatamente desconvocar a greve até que seja esclarecida esta situação”. O porta-voz da Antram justifica o pedido “por uma questão de defesa dos trabalhadores, que não poderão estar envolvidos num processo de greve, na medida em que o sindicato a meio da greve pode ser dissolvido”.

Face ao pré-aviso de greve do Sindicato às horas extraordinárias, fins de semana e feriados de 7 a 22 de setembro, e depois de ter falhado um acordo para a definição de serviços mínimos na passada segunda-feira, a Antram diz não ter mais reuniões marcadas com o SNMMP “por não negociar com pré-avisos de greve”. “Se o sindicato, perante a cordialidade que ocorreu na última reunião, e perante esta sombra que se instalou sobre a sua constituição, entender que a mediação é o melhor caminho, deve desconvocar a greve e ir para a mediação, que essa está aceite pela Antram mediante a desconvocação da greve e a garantia de que essa mediação não tenha resultados preestabelecidos”, conclui o porta-voz dos patrões das empresas de transporte.

No entanto, o presidente do SNMMP, Francisco São Bento, disse esta tarde à RTP que a greve é para manter. “A greve foi anunciada, até à data não houve nada que se dirigisse para um apaziguamento que possa prever a anulação desta greve, portanto, não havendo nenhuma alteração até dia 7, a greve será para avançar e para se exercer até dia 22”.

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