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APB: Economia mundial vive período de incerteza, risco e volatilidade

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Faria de Oliveira, considerou hoje, em Lisboa, que a economia mundial vive um período marcado pela incerteza, pelo risco e pela volatilidade.

“Apesar dos recentes desenvolvimentos positivos a nível económico, ocorridos no mundo e em Portugal, vivemos um período caracterizado pela incerteza, pelo risco e pela volatilidade, e por transformações disruptivas profundas, disse Faria de Oliveira, durante um encontro com empresários promovido pela Câmara do Comércio e Indústria Luso-Espanhola, em Lisboa.

Conforme indicou o porta-voz dos principais bancos que operam em Portugal, as transformações verificadas alteram “o mundo, a forma como vivemos, os comportamentos, as atitudes e as opções”, a nível dos valores e dos princípios, das perceções, “influenciadas pelas redes sociais”, e a nível político, com o “aparente distanciamento dos cidadãos da vida política”.

Além disto, “os cenários do foro geopolítico criam, para lá da incerteza, insegurança, desfavorecendo o progresso económico e social”.

Faria de Oliveira considerou ainda que o ‘Brexit’ (saída do Reino Unido da União Europeia) é “um exemplo de desconforto” face ao projeto europeu, que “comporta riscos”, sublinhando a necessidade de se encontrarem respostas que os minimizem.

“O sonho europeu não deveria estar em risco. Neste mundo da globalização e das transformações disruptivas que vivemos, só uma União Europeia completa permitirá a manutenção de uma posição relevante à escala mundial. Se quisermos avançar para uma autêntica União Política, a cedência de soberania tem de ser compensada com mais compromissos entre os países excedentários”, vincou.

Para Faria de Oliveira, a questão demográfica, marcada por grandes assimetrias, “oferece sérios motivos de preocupação”, tal como as mudanças tecnológicas, “que ocorrem a um ritmo rapidíssimo, sendo inegáveis os progressos e contributos para a prosperidade económica e para o bem-estar dos cidadãos”.

Segundo o presidente da APB, a mobilização de capital para aumentar o investimento, tem de ser uma prioridade estratégica para Portugal.

“Temos na atual escassez de capital nacional e nas baixas taxas de poupança das famílias uma condicionante, que aumenta a necessidade de atrair capital estrangeiro, o que requer um enquadramento favorável à sua atração. É necessário apostar bem mais fortemente em medidas de incentivo, fiscais e de outras naturezas. E temos de ser coerentes e consistentes com a nossa clara e inequívoca opção pela economia de mercado”, referiu.

Por último, Faria de Oliveira considerou que a banca portuguesa está “em situação de desvantagem com os seus pares”, devido às iniciativas legislativas aplicadas.

“Algumas delas afastam-se de tal maneira das práticas vigentes na esmagadora maioria dos outros Estados-membros, que poderão mesmo atentar contra princípios fundamentais do funcionamento do sistema”, concluiu.

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