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APETRO. Petrolíferas vendem 6,6 mil milhões de euros de gasóleo em 2017

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Entrevista a João Reis, responsável da APETRO - Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas.

Como têm evoluído as vendas de gasóleo em Portugal?
As vendas de gasóleo em Portugal desceram de 2010 a 2013 (de 4,87 milhões de toneladas para 4,088 milhões de toneladas) como consequência da crise económica, tendo vindo a recuperar de 2014 a 2017 (de 4,191 milhões de toneladas para 4,446 milhões de toneladas), não tendo em 2017 atingido ainda o nível de vendas de 2010. De referir que os veículos são cada vez mais eficientes, consumindo portanto cada vez menos combustível por quilómetro percorrido.

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Nas vendas de combustíveis em 2017, predominou o diesel?
Sim, aliás, de há muitos anos a esta parte que assim é. De acordo com dados da DGEG, em 2017 o consumo de gasóleo rodoviário representou cerca de 81,2% das vendas totais de combustíveis.
De acordo com a DGEG, em 2017 foram vendidos cerca de 5.293 milhões de litros de gasóleo rodoviário, tendo o preço médio de venda do gasóleo aditivado sido de 1,280 €/litro e do gasóleo simples de 1,242 €/litro (fonte DGEG). Considerando que as vendas de gasóleo simples representam 65,10% (fonte ENMC), o total de vendas de gasóleo rodoviário representou cerca de 6,6 mil milhões de euros em 2017.

Como vê a APETRO a tendência para acabar com o diesel (defendida pela Comissão Europeia), tendo em conta que a maioria do parque automóvel em Portugal ainda tem motores a gasóleo?
Esta tendência de acabar com o diesel, faz parte da estratégia definida pela UE para alcançar o objetivo ambicioso de liderar o mundo na forma como enfrenta o desafio global das alterações climáticas e da qualidade do ar nas cidades. Embora as medidas de redução de emissões até agora tomadas, tenham resultado em melhorias significativas na qualidade do ar na Europa, o desafio mantêm-se em muitas áreas urbanas, especialmente no que diz respeito ao dióxido de azoto (NO2) e às partículas em suspensão (PM). Em muitas cidades, o transporte rodoviário tem sido o foco principal das medidas de redução de emissões, sendo os automóveis de passageiros a gasóleo, em particular, frequentemente considerados uma das principais causas da não-conformidade.

No entanto, a tecnologia de veículos a gasóleo fez avanços significativos nos últimos anos para reduzir as emissões, e o resultado de estudos recentes concluem que na substituição da frota de veículos mais antigos para veículos novos, os mais recentes veículos a gasóleo “Euro 6d” serão tão eficazes quanto os veículos com emissões zero, no cumprimento dos valores-limite da qualidade do ar nas cidades.

Contudo, mesmo que as políticas europeias vão nesse sentido, mais de 40% dos aproximadamente 250 milhões de carros em circulação na UE têm motores diesel, e têm uma vida média útil de 10,7 anos (dados ACEA), pelo que a sua eventual total substituição, só decorrerá daqui a algumas décadas.
Para além disso, há que considerar os 37,6 milhões de veículos pesados que circulam na EU, para os quais não se conhecem outras soluções alternativas custo eficientes.

Em suma, a Indústria de Refinação, que está empenhada em contribuir para os objetivos acima mencionados, tem portanto um papel importante e duradouro a desempenhar nas escolhas energéticas do futuro, fornecendo combustíveis líquidos de baixo carbono para complementar a eletricidade de baixo carbono, o gás e o hidrogénio como fontes energéticas, bem como outros produtos de que a sociedade necessita.

Se os transportes rodoviários exigirem menos diesel, como vão as petrolíferas e gasolineiras dar a volta?
Sem dúvida que os transportes rodoviários exigirão, progressivamente, um menor consumo de gasóleo e sem dúvida também que a indústria se irá adaptar a essa nova realidade, como aliás já o fez no passado, por exemplo quando do fenómeno da “dieselização” na Europa, em que as refinarias tiveram que passar a produzir muitos mais gasóleo do que até então.

Para responder a este e a outros desafios, na nossa Visão, a Refinaria do Futuro, irá aproveitar o seu “know-how” tecnológico e as suas infraestruturas flexíveis, utilizará cada vez mais novas matérias-primas, tais como renováveis, resíduos e CO2 capturado, processadas num complexo fabril muito eficiente, e integrado num “cluster” de indústrias, em sinergia com outros setores como o dos produtos químicos, do aquecimento urbano, dos biocombustíveis sustentáveis e da produção de eletricidade.

Estes “clusters” processarão e trocarão entre si diversas matérias-primas e produtos semiacabados – como o hidrogénio renovável, carbono residual, biomassa sustentável, resíduos, calor residual, petróleo bruto convencional e sintético, e eletricidade energias renovável.

Os cidadãos e as empresas da Europa serão abastecidos com combustíveis líquidos e produtos com uma intensidade de carbono progressivamente mais baixa, que serão utilizados em veículos cada vez mais eficientes, configurando uma rota de longo prazo para uma economia resiliente e com baixas emissões.

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