Fórum para a Competitividade

Subida do salário mínimo pode destruir até 100 mil empregos

Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
Fotografia: Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Fórum para a Competitividade alerta para consequências mais negativas nos setores expostos à concorrência internacional.

O Fórum para a Competitividade estima que novas subidas do valor do salário mínimo se traduzam na perda de 50 a 100 mil empregos. “Novas subidas extraordinárias do salário mínimo, sem medidas significativas de aumento da produtividade, podem traduzir-se em aumentos substanciais do número de desempregados (entre 50 mil e 100 mil)”, refere a nota de conjuntura de novembro.

No documento divulgado esta terça-feira, a associação que junta empresários e universidades refere que sem “reformas profundas” para aumentar a competitividade, a subida do salário mínimo nacional (SMN) pode ser contraproducente, afetando de forma negativa os setores mais expostos à concorrência internacional. “Não há possibilidade de aumentar preços e, na impossibilidade de aumentar a produtividade, haverá destruição do emprego”, concluem os autores.

competitividade

Para estas empresas, o Fórum para a Competitividade refere uma “forte diminuição de margem das empresas, insolvência de empresas, diminuição do emprego e diminuição das exportações”, lembrando que “atualmente, estes sectores são responsáveis por 790 mil empregos e por exportações de bens de 57,6 mil milhões de euros.”

Além da destruição do emprego, o aumento do SMN também causaria uma subida da taxa de desemprego entre um a dois pontos percentuais e “uma degradação das contas externas entre 1,5% e 3% do produto interno bruto (PIB).

O Governo definiu como meta para o valor de salário mínimo em 2023 de 750 euros, sendo que as associações patronais já disseram que estariam dispostas a elevar a remuneração mínima até aos 700 euros. O SMN sobe já em janeiro de 2020 para os 635 euros brutos por mês.

Medidas para aumentar a produtividade
O Fórum para a Competitividade acredita que só com “reformas profundas” se poderá dar sustentabilidade a subidas do salário mínimo. E aponta alguns caminhos, propondo medidas que considera serem “consensuais, ainda que nem todas sejam fáceis”:

  1. Reforma do sistema de formação;
  2. Atração do Investimento Direto Estrangeiro (reduzindo a taxa de IRC, acelerando licenciamentos, estabilidade regulatória, entre outras);
  3. Aumento da intensidade do investimento de qualidade (quer público quer privado);
  4. Promoção do aumento da dimensão das empresas (redução do IRC sobre os lucros retidos, benefícios fiscais na aquisição e fusão de empresas).

Além disto, a associação refere que os patrões devem ter em atenção algumas recomendações nas negociações com o Governo: “que as subidas extraordinárias sejam suspensas se a taxa de desemprego subir acima dos 7%; 2) que haja diminuição das contribuições para a Segurança Social no interior, onde é muito mais difícil de absorver estas subidas extraordinárias dos salários.”

 

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