Energia

APREN. Famílias vão pagar menos pela eletricidade entre 2030 e 2040

António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa das Energia Renováveis. (Fotografia: Gerardo Santos/ Global Imagens)
António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa das Energia Renováveis. (Fotografia: Gerardo Santos/ Global Imagens)

APREN é favorável a leilões de produção elétrica renovável, anunciados pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética.

As famílias portuguesas irão ver as suas contas da eletricidade “baixar substancialmente” entre 2030 e 2040, afirmou hoje ao Dinheiro Vivo (DV), à margem da apresentação do estudo “Portuguese Market Outlook up to 2040”, António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa das Energias Renováveis (APREN).

“No mês passado, a média foi de 57 euros. Em 2040, quando existirem mais renováveis, o preço deverá andar na casa dos 50 euros”, disse, vincando que “o preço no mercado grossista ainda poderá ser mais baixo com os leilões”. “O investidor está disposto a receber menos num leilão em que há certeza de um preço garantido por um período mais longo, logo o valor pode ser mais baixo. Não digo que vá ser 40 euros, mas poderá vir a aproximar-se mais dos 45 do que dos 50 euros”, estima.

A reação de Sá da Costa chega depois de o Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, ter defendido recentemente, no 10.º Encontro Anual da Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico, que “é preciso dar segurança aos investidores” para garantir financiamento aos projetos, admitindo a possibilidade de avançar com um leilão até 2019. De acordo com o governante, que a 15 de outubro assumiu também a tutela da Energia, as licenças atribuídas totalizam aproximadamente 1500 megawatts, mas apenas 49 projetos estão em andamento.

Do lado do presidente da APREN, o principal entrave para que se concretizem os projetos já licenciados é o financiamento. “Não há uma garantia da compra da eletricidade por um período alargado”, entende Sá da Costa, para quem “há coisas que estão a ser feitas, mas a um ritmo muito mais lento do que o esperado”. “Há que definir regras novas, que potência irá estar disponível e qual o regime de transição”, diz, referindo que se trata de “um corte com o passado”.

Para Sá da Costa, “está a acabar gradualmente o tempo em que as renováveis precisavam de ser apoiadas e este virar de página vai levar a que os preços baixem”. E, acrescenta: “Também é importante que as pessoas percebam que a fatura da eletricidade incluiu muitas coisas que não têm nada a ver com a produção, transporte e distribuição da eletricidade, nomeadamente a contribuição do audiovisual. Na minha minha ótica, não deveria estar na conta da eletricidade, mas na dos operadores de telecomunicações”.

Ainda sobre as notícias de que as tarifas da eletricidade vão baixar 3,5% a partir de janeiro de 2019, devido a um reforço de dois terços na receita da contribuição extraordinária sobre o setor energético [CESE] para o sistema elétrico, garante que sem a taxa audiovisual baixaria 4%. “Hoje, nós estamos a pagar custos que não incorremos noutros tempos. No passado, quando os preços das matérias-primas subiram, todos os países aumentaram muitos os preços. Nós ficámos abaixo e estamos a pagar agora por não o termos feito no passado. Foi uma opção pública”, desenvolveu.

Não são precisos apoios às renováveis
Recorde-se que, o Orçamento do Estado para 2019, mantém esta contribuição sobre os produtores de energia, em vigor deste 2014, e alarga-a aos produtores de energias renováveis com remuneração garantida. As renováveis que operem em regime de mercado continuam isentas do CESE.

Confrontado com a questão da dupla subsidiação das renováveis, é perentório ao afirmar que “é um chorrilho de asneiras”. “Foi uma coisa que nasceu na cabeça do anterior secretário de Estado [Jorge Seguro Sanches], que nunca quis falar comigo sobre o assunto, e é um tema que não existe, porque as regras são apresentadas aos promotores, são escritas, aprovadas pelo Governo e por Bruxelas. (…) Notícias dessas geram desconfiança nos investidores, a maior parte deles estrangeiros”, diz mesmo.

Quanto ao avanço no sobreequipamento, travado pelo ex-secretário de Estado da Energia, Seguro Sanches, confirma ao DV que o antigo governante pediu um parecer à ERSE e que a APREN “ofereceu-se para apresentar uns quantos pressupostos”, mas que o relatório final, apresentado em janeiro deste ano, deixou completamente de lado as sugestões da associação.

“É uma análise enviesada. Refere que iam existir mil megawatts de sobreequipamento quando nós [APREN] chegámos à conclusão, juntamente com a REN e a EDP, que, no máximo dos máximos, haveriam mais 120 megawatts”, garante. Mais: “Fizeram uma previsão do preço da eletricidade, que nos caiu muito mal, onde referiam que vamos receber 60 euros no sobreequipamento, sendo que desses 60 euros temos de entregar um euro e meio às câmaras”.

*Última atualização às 20:35.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Foto: DR

IMI baixa para mais de 24 mil famílias que pediram reavaliação

NOS

Avaria na rede da NOS está a afetar milhares de clientes

Bandeira de Angola

Ex-presidente do Fundo Soberano de Angola libertado

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
APREN. Famílias vão pagar menos pela eletricidade entre 2030 e 2040