Aquacultura. Peixes mais saudáveis? É a meta deste projeto de 1,2 milhões

Quatro universidades portuguesas aliaram-se a duas empresas. Agora vão criar ferramentas para melhorar a qualidade dos peixes de aquacultura

Peixes mais resistentes e saudáveis. É esse o objetivo de quatro universidades e duas empresas que dispõem de 1,2 milhões de euros para o projeto ALISSA. Com ele irão criar ferramentas para tornar os peixes de aquacultura mais resistentes e saudáveis, através da sua alimentação.

"Queremos dar resposta aos desafios que a aquacultura portuguesa e europeia enfrentam ao nível da concorrência externa e exigências dos seus consumidores em termos de qualidade, padrões ambientais e preços competitivos", afirmou Paulo Rema, especialista em aquacultura e investigador numa das quatro universidades que fazem parte do projeto.

Liderado pela empresa SPAROS, o consórcio as universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) – onde Paulo Rema é investigador – de Aveiro, Porto e do Algarve e ainda a empresa A. Coelho e Castro, Lda.da. A grande aposta na alimentação justifica-se por ser este um dos principais custos de uma piscicultura, entre cerca de 20 a 50% do custo operacional.

"Assim sendo, as estratégias associadas ao fornecimento de alimento devem obedecer a parâmetros rigorosos que permitam uma nutrição otimizada, um crescimento e estado de saúde ótimos dos peixes, sempre com impacto ambiental mínimo", frisou Luís Conceição da empresa SPAROS, líder na área da nutrição de peixes.

Novos alimentos a caminho?

O responsável acrescentou que o ALISSA pretende "contribuir para o desenvolvimento de novos alimentos, com base em ingredientes sustentáveis e seguros, que promovam o crescimento e a condição imune dos peixes, dentro de parâmetros de sustentabilidade económica e ambiental".

De acordo com responsáveis pelo projeto, uma nova gama de suplementos para a alimentação de peixes vai permitir uma fortificação significativa dos alimentos atualmente utilizados em imunoestimulantes (por exemplo aminoácidos) que, fornecidos através da via alimentar, "vão tornar os peixes mais resistentes às doenças e ao maneio".

Segundo o investigador da UTAD, os resultados deste projeto serão uma "ferramenta importante para esta área da produção animal podendo ainda contribuir para uma mudança de mentalidade do consumidor em relação ao peixe de aquacultura".

A Universidade do Algarve está envolvida na iniciativa através do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), a Universidade do Porto envolve o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS) e o Instituto Biologia Molecular e Celular (IBMC) e a Universidade de Aveiro o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM).

 

O projeto "ALISSA - Bases para uma alimentação saudável e sustentável para peixes de aquacultura" apresenta uma dotação financeira total de 1,2 milhões de euros tendo sido aprovado em novembro de 2015 para um período de três anos.

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