Coronavírus

Arábia Saudita quer “resposta global” do G20 à crise do novo coronavírus

O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz. Fotografia: Bandar Aljaloud / EPA
O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz. Fotografia: Bandar Aljaloud / EPA

A guerra de preços do petróleo será um dos temas em debate na cimeira extraordinária do G20 que Riade convocou por videoconferência

Os líderes das principais economias do G20 estarão reunidos numa cimeira online, nesta quinta-feira, numa tentativa de impedir uma recessão provocada pelo novo coronavírus, depois das críticas de que o grupo tem demorado a enfrentar a crise.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participarão na videoconferência de emergência presidida pelo rei Salman da Arábia Saudita, que também está sob pressão para por fim à guerra de preços do petróleo com a Rússia, que está a agitar os mercados de energia.

As negociações acontecem quando o número global de mortos pela covid-19 subiu para mais de 21 mil e mais de três mil milhões de pessoas estão fechadas em casas, provocando um enorme choque financeiro em todo o mundo.

“Enquanto o mundo enfrenta a pandemia da covid-19 e os desafios que representa para os sistemas de saúde e a economia global, convocamos esta cimeira extraordinária do G20 para unir esforços em direção a uma resposta global”, anunciou o rei da Arábia Saudita, que atualmente ocupa a presidência do G20, na rede social Twitter.

A reunião, prevista para as 12h00, hora de Lisboa, acontece quando os 20 países mais industrializados do mundo lutam para defender as suas economias destruídas pelo vírus e perante as previsões de que provavelmente mergulharão numa profunda recessão.

Na quarta-feira, a agência de classificação financeira Moody’s estimou que o produto interno bruto do G20 se contrairia 0,5% neste ano, com a economia dos EUA a encolher 2,0% e a zona euro 2,2%. “As economias do G20 sofrerão um choque sem precedentes no primeiro semestre deste ano e irão contrair-se, globalmente, em 2020”, afirmou a Moody’s.

Embora os países ricos, incluindo os EUA, tenham revelado pacotes gigantescos de estímulo, até o momento não houve nenhum plano de ação coletiva do G20, e as preocupações crescem relativamente aos países mais pobres, sem acesso ao mercado de capitais e serviços de saúde adequados.

O FMI e o Banco Mundial instaram na quarta-feira os líderes do G20 a apoiarem o seu apelo aos governos para suspenderem o pagamento da dívida dos países mais pobres do mundo. O chefe da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também pediu aos países do G20 que ofereçam apoio a “países de baixa e média renda”, incluindo os da África Subsaariana.

O presidente francês Emmanuel Macron e seu colega chinês Xi Jinping têm vindo a pressionar pela realização de uma cimeira de emergência do G20 para limitar o impacto da pandemia. Fontes presidenciais francesas disseram que a reunião virtual se concentrará na “coordenação no nível da saúde”, além de enviar um “forte sinal” aos mercados financeiros, em busca de esforços para estabilizar a economia global.

Porém, com os líderes mundiais divididos, a reunião atual contrasta com as cimeiras do G20 após a crise financeira de 2008, quando o grupo entrou em ação para mobilizar assistência a países vulneráveis. “O G20 está ‘desaparecido em ação’ hoje, ao contrário de 2008”, disse Ian Bremmer, presidente e fundador da empresa de consultoria de risco do Grupo Eurasia.

As conversas sobre uma coordenação global ainda ressoam sob a presidência isolacionista de Trump.
Na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, atacou a China, acusando Pequim de uma campanha de ‘desinformação’ sobre a pandemia e garantindo que os principais diplomatas do Grupo dos Sete concordam consigo.

Nas negociações do G7 de quarta-feira, Pompeo alegou que Pequim está envolvida numa campanha nas redes sociais que inclui teorias de conspiração de que os EUA estão por trás do vírus, detetado pela primeira vez na metrópole chinesa de Wuhan.

“Se os líderes do G20 puderem deixar de lado a política e chegar a um acordo coletivo do G20, os países têm mais hipóteses de sucesso ou de oferecer mais estímulos do que sozinhos”, disse à AFP Markus Engels, da Global Solutions Initiative, uma rede de Think Tanks. “A coordenação entre o G20 envia uma forte mensagem de unidade e confiança, as quais são urgentemente necessárias agora”, defende.

Os preços do petróleo – pressionados em baixa pelo impacto do surto na procura e pela guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia – também deverão estar no centro das discussões dos países mais ricos do mundo. Riade enfrenta a pressão de Washington para voltar atrás na sua decisão de aumentar a produção, levando à maior baixa de preços nas últimas duas décadas, como retaliação à recusa da Rússia em restringir a oferta à medida que o vírus enfraquece a procura.

Na quarta-feira, Pompeo pediu ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman que “esteja à altura ocasião” e “tranquilize os mercados financeiros e de energia globais”.

Os membros do G20 serão acompanhados por líderes de outros países afetados, incluindo Espanha, Jordânia, Singapura e Suíça, disse Riade. Os líderes de organizações internacionais como as Nações Unidas, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde e Organização Mundial do Comércio também participarão.

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