Habitação

Arrendar em Lisboa leva quase três quartos do rendimento das famílias

Fotografia: Arquivo/ Global Imagens
Fotografia: Arquivo/ Global Imagens

Há pelo menos 62 concelhos onde o custo de arrendar representa mais de um terço daquilo que os portugueses ganham, revelam dados do INE.

O concelho de Lisboa é aquele que representa o maior esforço financeiro a quem nele escolhe morar, com os custos de arrendar ou de ter casa própria a serem os mais pesados a nível nacional quando se tem em conta o rendimento das famílias. Na capital, pagar uma renda pode levar praticamente três quartos do valor dos rendimentos das famílias. Já comprar casa pode custar 18 anos de rendimento já limpo de IRS.

Os dados são do último Retrato Territorial de Portugal, publicado esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística, que – entre outros indicadores – ordena os concelhos nacionais de acordo com o esforço que as famílias têm de fazer para arrendar ou comprar habitação. Os cálculos têm ainda por base valores de 2017 (desde final desse ano e até setembro, o índice de preços da habitação escalou entretanto em 18%).

Segundo o INE, o valor mediano de renda para uma casa de 81 metros quadrados representava então no concelho de Lisboa 72,7% da mediana de rendimentos familiares – neste caso, arrendar na capital consumiria 8.151 euros em 11.212 euros que sobram após liquidado o imposto sobre os rendimentos, e sobrariam pouco mais de três mil euros para todas as restantes despesas do ano.

Logo atrás de Lisboa, Albufeira surge como o concelho cujo mercado de arrendamento exige maior esforço (59,5% do rendimento mediano), seguido de Cascais (57,7%), Loulé (55,3%), Amadora (54,2%) e Porto (53,9%).

Infografia: Mónica Monteiro

Infografia: Mónica Monteiro

Os dados do INE estão disponíveis para apenas 201 dos 308 concelhos nacionais. Destes, há 62 nos quais o custo mediano do arrendamento representa um esforço superior a 33% dos rendimentos.

Já Belmonte, no distrito de Castelo Branco, é o distrito onde arrendar menos pesa nos orçamentos das famílias. A renda leva 16,2% dos rendimentos – aqui, 1.247 euros em 7.696 euros, de acordo com a mediana de rendimentos de 2017.

Seguem-se, entre as rendas que menos pesam as dos municípios de Sátão (18,2%), Vila Viçosa (19,6%), Campo Maior (20,5%), Entroncamento (21,1%) e Mangualde (21,4%).

Sem surpresa, Lisboa, Algarve e outros concelhos do litoral também lideram no esforço da compra de habitação.

No caso de Lisboa, comprar casa consome todo o rendimento que as famílias encaixam ao longo de 18 anos, descontando apenas o valor pago em IRS. Neste caso, 201.818 euros.

Seguem-se Loulé (17 vezes o rendimento anual), Lagos (16,5), Albufeira (15,8), Tavira (14,5) e Vila do Bispo (14,2).

Infografia: Mónica Monteiro

Infografia: Mónica Monteiro

A referência é uma casa de 95 metros quadrados, e os valores reportam-se também às medianas de 2017 por concelho.

Já o concelho onde comprar casa representa menos esforço é o da Pampilhosa da Serra. As famílias precisam de reservar apenas os rendimentos de 1,2 anos para a compra de casa. Neste caso, são precisos 9358 euros.

Os restantes concelhos onde a compra de habitação exige menos de dois anos de trabalho são os de Figueira de Castelo Rodrigo (1,7 anos de rendimento), Crato (1,7), Penamacor (1,8), Vimioso (1,9), Aguiar da Beira (1,9), Santa Cruz da Graciosa (1,9) e Lajes do Pico (1,9), nos dados do INE.

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