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Arte pode valorizar 10% ao ano e vende-se cada vez mais

“Le Chariot”, de Giacometti, foi a peça mais cara de 2014: 93 milhões de euros
“Le Chariot”, de Giacometti, foi a peça mais cara de 2014: 93 milhões de euros

Nunca o mercado das Artes valeu tanto como nos tempos que correm. Segundo a consultora ArtPrice, em 2014 foi atingido um novo recorde, com o volume de negócios de leilões a ascender a 14 mil milhões de euros (+26% que em 2013).

O crescimento deve-se, principalmente, ao mercado e à economia chineses, mas também a “uma intensificação do segmento ultra-alto do mercado de arte ocidental” que compra também cada vez mais em Portugal.

Outro recorde foi batido em 2014: com valor acima de um milhão de dólares foram transacionadas 1.679 peças, um valor quatro vezes superior ao registado há dez anos. Além de haver mais peças acima de um milhão de dólares, também o fizeram de forma mais intensa: 116 peças foram vendidas a mais de 10 milhões de dólares, o que representa uma evolução de 500% face ao registado dez anos anos. Em 2005, apenas 18 peças atingiram aquele patamar de preço.

Nos anos 1980, os preços máximos rondavam 10 milhões de dólares, sendo atingido o patamar dos 100 milhões de dólares apenas na década de 2000 e está a subir. Segundo o New York Times, a 5 de fevereiro deste ano, um comprador do Qatar comprou uma peça de Gauguin por 300 milhões de dólares.

Portugueses investem mais

Com as taxas de juro perto de zero e os escândalos no BPN e no BES, também os portugueses apostam mais neste investimento. “Só num fim de semana, faturámos meio milhão de euros”, revela Aníbal Pinto Faria, da loja e leiloeira P55, projeto com dois anos e meio no Porto e planos para abrir em Lisboa este ano.

“Os investidores são cada vez mais jovens e sabem que têm um potencial de valorização média de 10%, por isso investem e, por vezes, no ano seguinte, tornam a vender. Tenho peças que já me passaram pelas mãos duas, três vezes”, adianta. Apesar da tendência, 70% da faturação é feita online, através do site em cinco línguas, entre as quais o mandarim. “Vendemos muito para os EUA, China, Dubai”, enumera.

Com um aumento exponencial, as vendas online estão a revolucionar o mercado dos leilões de arte, de acordo com a ArtPrice. Além de aumentar os portefólios de clientes, as principais leiloeiras chegam a receber inscrições de quase 200 países para participar em leilões online, adianta a consultora. Os principais utilizadores e compradores por esta via são “surfistas prateados”, designação atribuída a ricos com mais de 50 anos que gostam e colecionam arte, usando a internet para pesquisar peças de arte em todo o mundo.

Restritas ao offline e à pintura e à escultura, as galerias de arte portuguesas não vivem momentos tão gloriosos, segundo Fernando Santos, da galeria homónima portuense. Além disso, enquanto a nova “indústria dos museus” a Oriente criou mais museus entre 2000 e 2015 do que durante todo os séculos XIX e XX, a uma média de abertura de um novo museu por dia, de acordo com a ArtPrice, por cá a crise praticamente extinguiu tais compradores.

“Não há uma política cultural em Portugal, não temos um único museu de referência de arte portuguesa e há muito poucos investidores no país, por isso não estamos a faturar como noutros tempos”, resume o galerista. Contudo, aponta: “A arte continua a ser um grande investimento, não só pelo potencial de valorização se for bem escolhida – aconselhando-se, estudando, certificando a autenticidade – como também pelo gozo que dá a posse do investimento”. Relativamente à autenticidade, Fernando Santos deixa um alerta: “A crise levou muita gente a desfazer-se do que tinha em casa e as leiloeiras vendem pelo melhor preço sem dar garantias. Estão a estragar o mercado. Tem aparecido muito “gato por lebre” no negócio dos leilões”.

Francisco Pereira Coutinho, da Galeria S. Mamede e presidente da Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA), diz que o mercado das artes “regista alguns sinais, ainda ténues, de algum crescimento”, depois de a crise ter levado a uma “redução das aquisições por parte de empresas e instituições”.

“Os investimentos em arte, sobretudo a médio e longo prazo são sempre muito rentáveis”, defende Pereira Coutinho, salvaguardando também que deverão ser “feitos com o aconselhamento de alguém especializado ou numa galeria membro da APGA”. Investir em pintura ou escultura tem vantagens face a produtos financeiros, na opinião do galerista, visto que “a arte não entra em default, não sofre hair-cuts e não é tão tributável”.

Os 10 artistas mais valorizados em 2014

1. Andy Warhol (vendeu 569 milhões de dólares em 2014, um recorde histórico para qualquer artista);

2. Pablo Picasso (448,7 milhões de dólares);

3. Francis Bacon (270 milhões de dólares);

4. Gerhard Richter (254 milhões de dólares);

5. Mark Rothko (249 milhões de dólares);

6. Claude Monet (222 milhões de dólares);

7. Qi Baishi (206 milhões de dólares);

8. Alberto Giacometti (205 milhões de dólares);

9. Zhang Daqian (193 milhões de dólares);

10. Jeff Koons (149 milhões de dólares).

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