As "cambalhotas, a "partidarite" e a "geringonça coxa". Os discursos de encerramento dos partidos

Os partidos fizeram as intervenções finais depois de terminado o processo de votação na especialidade, marcada por avanços e recuos e momentos de algum dramatismo com o Novo Banco e as portagens nas ex-SCUT. PS ainda espera uma reconciliação com o BE.

Rutura assumida pelo PS com o Bloco de Esquerda na intervenção final da líder da bancada do Partido Socialista. Ana Catarina Mendes, respondeu à líder do BE, acusando Catarina Martins de se ter aliado aos partidos da direita.

"Vota contra as suas próprias propostas e quer abrir o caminho a que Portugal volte à austeridade, desta vez com uma direita de braço dado com a extrema-direita populista", afirmou. Mas ainda acredita que a legislatura pode ir até ao fim e com o antigo parceiro da geringonça. "Tudo faremos para que a separação que hoje aqui de viu entre o Bloco e as forças progressistas se não repita. Todos estaremos, certamente, à altura dessa responsabilidade, de levar esta legislatura até ao fim", acusando o PSD de estar a "brincar".

Ana Catarina Mendes rejeitou ainda que este seja um Orçamento de "mínimos", mas que sai na versão final "melhor", "prudente e responsável". E voltou a atacar o PSD pela aprovação da proposta do BE para impedir a transferência de 476 milhões de euros do Fundo de Resolução para o Novo Banco, acusando o maior partido da oposição de fazer "uma cambalhota sem nome. Uma irresponsabilidade".

A "geringonça coxa"

O PSD falou de um "orçamento da geringonça coxa", afirmou a deputada do PSD Isaura Morais, apontando o voto contra do Bloco de Esquerda, depois de ter feito parte da solução parlamentar de apoio ao Governo na anterior legislativa, antecipando "que a pobreza continua a alastrar", pedindo mais medidas de apoio, sobretudo às empresas.

"É tão escandalosa a falta de cuidado deste orçamento com as empresas, que o Governo se viu obrigado a elencar no relatório que acompanha o Orçamento, como medida de apoio às empresas uma não ação, o Não-Aumento-de-Impostos", afirmou a deputada social-democrata, considerando que o OE2021 é uma "derrota do PS e uma clara vitória do PCP, que conseguiu colocar o Governo de joelhos ao impor tudo o que lhe apeteceu".

O antigo parceiro da geringonça o Bloco de Esquerda fez um balanço das negociações que decorreram nos últimos meses, acusando o Governo de ter desertado, mas uma parte foi dedicada ao Novo Banco e à proposta do partido que passou, impedindo a transferência de 476 milhões de euros do Fundo de Resolução para o Novo Banco.

Catarina Martins reconheceu que houve "alguns avanços, sobretudo na proteção social", mas "os problemas centrais mantêm-se", como o apoio extraordinário ao rendimento de trabalhadores ou o reforço de profissionais para o Serviço Nacional de Saúde. E falou das "cambalhotas" durante as negociações e as votações na especialidade, referindo-se à aprovação da proposta do Bloco para impedir transferências para o Novo Banco. "Uma medida básica: primeiro conhece-se a conta e só depois se paga", referiu Catarina Martins.

Na intervenção de encerramento do debate e votação, o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, apresentou a lista de propostas que o partido conseguiu ver inscritas na versão final do OE2021 e fez a prova de vida do partido. "O PCP conta e conta bem, seja para impedir retrocessos, seja para encontrar soluções e responder aos problemas do país", começou por dizer o deputado comunista. "E conta também para inscrever como exigência da atualidade a necessidade de uma outra política", acrescentou.

A "partidarite" e as escovas de bambu

O CDS acusou o PS de ter escolhido "fazer uma negociação que ofenderia o comércio local caso fosse classificada de 'mercearias'. Foi uma verdadeira negociata dominada pela partidarite", afirmou o deputado João Almeida, que criticou a quantidade recorde de propostas de alteração ou a discussão de medidas como "as escovas de dentes de bambu" ou as "microesferas de plástico em detergentes e cosméticos".

Antes, o PAN justificou a abstenção com o facto de obrigar o Governo a negociar. "É importante lembrar o PS e o Governo que não têm maioria absoluta e que o diálogo é o único caminho possível para assegurar a estabilidade política, apontou o deputado André Silva. "Esperamos que o PS e o Governo substituam o diálogo de conveniência em momentos de aperto por uma postura construtiva e conciliadora, capaz de adotar uma visão estratégica para o país e para as gerações futuras", concluiu.

Na intervenção de encerramento, "os Verdes" justificaram a abstenção como sendo um "voto em defesa das pessoas. "É um voto que deixa uma imensa responsabilidade nas mãos do Governo, que com este Orçamento fica obrigado a responder aos anseios das populações", afirmou a deputada Mariana Silva.

O deputado único do Chega, André Ventura, prevê, por seu lado, que este "vai ser o último Orçamento de António Costa". "A direita regressará ao poder e os Açores foram o primeiro", afirmou referindo-se à "geringonça" de direita que surgiu depois das eleições no arquipélago.

Antes o deputado único João Cotrim de Figueiredo questionou "para que serviu esta discussão'".

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