Imobiliário

“As empresas têm de olhar para as pessoas como um ativo que deve ser valorizado”

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Luís Rodolfo é o responsável pelo novo departamento da JLL que presta apoio a empresas em áreas que vão além do imobiliário.

Nem só de vender casas vive a JLL. A mais recente aposta da consultora imobiliária passa por prestar apoio personalizado a empresas, através da prestação de serviços relacionados com o espaço de trabalho. Luís Rodolfo foi o especialista escolhido para liderar o novo departamento de Corporate Solutions.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o responsável explica que o objetivo da nova equipa, composta por 22 pessoas, é “dar aos clientes um serviço de 360 graus que englobe todo o ciclo imobiliário”, que começa com a escolha do sítio ideal e vai até aos aspetos mais triviais do dia-a-dia, como uma avaria no ar condicionado.

“Em Portugal o nosso negócio é mais focado nos investidores, nos proprietários de imóveis, e não tanto nas empresas, ao contrário do que acontece noutros países europeus. Mas achamos que a oportunidade também existe por cá”, começa por explicar o novo diretor da JLL.

O peso do imobiliário tradicional no volume de negócios da JLL em Portugal é de 90%. Em países como França, os serviços empresariais já representam cerca de 40% deste bolo. Luís Rodolfo acredita que no prazo de cinco anos será possível crescer até aos 30%.

“Vamos importar as melhores práticas que existem no mercado. Só na área de soluções para empresas trabalhamos com mais de 500 contas internacionais. Em Portugal trabalhamos com empresas como a Cisco, a Uber ou a Google, que querem o mesmo tipo de serviço e a mesma qualidade que a JLL presta noutros países”, refere Luís Rodolfo.

Mas o objetivo do novo departamento passa também por apoiar empresas portuguesas, acrescenta, e “ser o braço direito delas no real estate, em tudo o que é serviço na área imobiliária, que vai da consultoria estratégica ao estudo do local de trabalho. Face a toda a transformação que as empresas estão a viver, nós conseguimos ajudá-las a melhorar, seja em Portugal ou na expansão internacional”.

“Estamos a anos-luz das Googles deste mundo”

O ciclo da área de corporate solutions começa com a avaliação das necessidades de cada empresa. “Questões como o número e o perfil dos trabalhadores, se querem estar dentro ou fora da cidade, se a mobilidade e os acessos são importantes ou se querem estar em edifícios mais horizontais ou verticais”, detalha.

Escolhido o espaço e acertadas as rendas, a JLL avança com as propostas para a gestão do projeto. “Imaginemos que a Uber chega e diz que precisa de um sítio em Lisboa para mil pessoas em dois meses. Nós tratamos do local, desenhamos o espaço, fazemos as obras e se for preciso estabelecemos parcerias para encontrar trabalhadores. É claro que temos uma maior vocação na área do imobiliário, mas o change management é fundamental. Há nisto uma componente humana muito forte e que vai além do imobiliário. Estamos a trabalhar muito no futuro do trabalho”.

Um futuro que, para Luís Rodolfo, passa por resolver a difícil equação que junta trabalho, felicidade e produtividade. É nessa solução que reside o segredo da retenção de talento, aponta.

“Um estudo recente diz que há empresas dentro do mesmo setor, no mesmo país, com mesma concorrência que conseguem vingar mais do que outras. A razão são as pessoas. As empresas têm de olhar para as pessoas como um ativo que deve ser valorizado. E no futuro do trabalho há muita coisa que deve ser alterada”.

As mudanças, diz o diretor da JLL, não vão acontecer apenas nas empresas de tecnologia. “Todas as pessoas querem trabalhar em espaços em que se sintam bem, e que vão ter impacto no seu bem-estar e produtividade. As empresas estão a perceber que têm de dar uma experiência a quem lá trabalha”.

Em Portugal, no entanto, as empresas ainda estão “a anos-luz das Googles deste mundo” no que toca ao bem-estar no local de trabalho. “Ainda trabalhamos muito em silos, mas estas novas formas de trabalho quebram esses silos. Mas ainda vamos demorar entre três a cinco anos a chegar ao nível de outros países”.

Um dos problemas que a consultora enfrenta em Portugal, e sobretudo em Lisboa continua a ser a falta de oferta de espaços para empresas. Luís Rodolfo antevê que só a partir de 2021 é que começarão e entrar no mercado os projetos que estão hoje em construção. “É como o aeroporto. Se tivesse mais capacidade recebia mais uns milhões de passageiros. Nós, se tivéssemos mais escritórios teríamos mais empresas”.

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