As frases polémicas da entrevista de Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares em entrevista ao DN
Miguel Sousa Tavares em entrevista ao DN

“Já não temos idade para brincar aos generais. O pior que nos pode acontecer é um Beppe Grillo (palhaço profissional, fundador de um partido político em Itália), um Sidónio Pais. Mas não por via militar”, disse Miguel Sousa Tavares em entrevista ao Jornal de Negócios, quando questionado sobre o futuro do país.

E quando o jornalista o questionou sobre uma frase de Pacheco Pereira (“Pode-nos calhar um ditador populista, um palhaço…”), disse a frase: “Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva. Muito pior do que isso, é difícil.”

“Conheço tanta gente que tem opinião e que nunca, nunca molha as mãos…
Eu, este ano, fui bombardeado: Rendeiro, Mota-Engil, Gonçalo Amaral,
Armando Vara. Todos me puseram processos, e todos perderam. O que quer
dizer que eu sei os limites entre a ofensa e a crítica”, disse ainda o jornalista e escritor na entrevista.

“O meu pai tinha uma tese. Que os países não progridem sem elite e que a elite portuguesa morreu toda em Alcácer Quibir”, respondeu Miguel Sousa Tavares, em entrevista ao Jornal de Negócios, à pergunta “Porque é que somos assim?”

O escritor também referiu que “em muitas coisas, não me importava de ser suíço ou alemão. Em Portugal temos uma democracia abstrata a funcionar. A nível local, a corrupção passa, os caciques perpetuam-se no poder”.

Sobre a situação económica, o escritor sublinhou que “o essencial não é nem o défice nem a despesa. O essencial é confrontar os portugueses com isto: em sua casa não pode viver com dinheiro que não tem. Se vive eternamente a dever à mercearia, aos senhorio, à escola, há um dia em que isso rebenta. Porque é que com os países há-de ser diferente? Essa coisa entranhada – que teríamos sempre as especiarias da Índia, o ouro do Brasil, os dinheiros da Europa – criou nas pessoas a sensação de que o dinheiro nunca seria problema. Os portugueses não têm ideia que o dinheiro do Estado vem de algum lado. Vem do tipo que paga impostos. Se isto fosse explicado, se os partidos não estivessem obcecados em ganhar eleições, se fosse possível ganhar eleições dizendo a verdade, teríamos evitado muita chatice. Em vez de uma evolução para a realidade, tivemos uma ruptura: chocámos com a realidade”.

“A liberdade da-nos a possibilidade de nos governarmos bem ou mal. Mas não garante, necessariamente, que vamos ser bem governados e que isto vai ser um mar de rosas”, disse, sobre os sonhos da geração que fez a revolução do 25 de abril.

“Este constante bota-abaixo em relação à classe política, a eterna desconfiança -” são todos uns ladrões, uns bandidos, bens pagos de mais” – faz com que as pessoas de valor se tenham afastado. Por isso estamos hoje reduzidos aos Passos Coelhos e aos Antónios Josés Seguros. Que são o grau zero da política. São aqueles que, não tendo nenhuma outra vida fora da política, fazem política”, disse.

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